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Uma guerreira que deixa saudades
O sentimento e o poder da mulher
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Opinião
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O sentimento e o poder da mulher

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Data de Publicação: 9 de março de 2008
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Opinião

Eudes de Sousa*

O mundo de suas potencialidades, tenta influenciar decisivamente no destino da humanidade, o homem com inteligência e imaginação conseguiu tornar em evidente realidade os mais fantásticos sonhos e as mais arrojadas invenções, mas não conseguiu, no entanto, a tornar real a igualdade da mulher no trabalho universal.

As mais ousadas invenções fizeram, que o nosso planeta progredisse aceleradamente; muito mais no século XX e no começo deste século de que todos os outros juntos. Alcançaram a lua, voaram para Marte, diminuindo as distâncias, venceram a velocidade do som, atingiram elevados índices de progressos e de conforto, mas continuam mergulhados na selva da incompreensão de não respeitar as lutas, os sonhos da mulher.

Os preconceitos, contra a mulher, como se sabe, vêm de longe e circulam nos diversos ambientes culturais: estão confortavelmente instalados nos provérbios populares, nas canções dos jovens, nos conselhos dos velhos, na obra literária, nas obras dos filósofos, nos sermões religiosos, nas razões dos legisladores.Vejam-se alguns exemplares, Santo Tomás de Aquino dizia que a mulher era um ser “Ocasional” e “ Acidental”. Lamenais chamava-às de “ estátua viva da burrice”. O poeta Byron sustentava que a mulher só deveria ler livros religiosos; ou então, livros de cozinha. E de políticos brasileiros como o Senador Muniz Freire, que disse: “ Estender o voto à mulher é uma idéia anarquista, porque no dia-a-dia em que for convertido em lei, ficará decretado a dissolução da família “, pra ficarmos somente com os mais famosos.

Infelizmente, ainda hoje, existem outros tipos de preconceitos. Entre eles, a violência contra a mulher se manifesta em variadas formas, muitas vezes, ela é trancada dentro de casa, impedida de trabalhar, sofre agressões psíquicas, comprometendo a sua auto-estima e a confiança; o que desperta o medo, insegurança ou a vergonha. A violência sexual pela dominação de força ou da exigência de relações indesejáveis.

Vale lembrar que a mulher é um ser intimamente ligada à natureza, à terra, já que todo o mês, o seu útero se volta o mais próximo possível das cavernas, do natural, se sintonizando e potencializando com o criador ao homem, a família, à sociedade. Por ser doadora dessa energia, os árabes diziam que: “Alá, apanhou uma maçã do Mar Morto, uma rosa, um livro, uma serpente, uma pomba, um pouco de mel, um pouco de terra, misturou tudo e criou a mulher”! O Antigo Testamento está cheio de informações sobre a influência das mulheres, dizem os mais belos livros da Bíblia, que são os livros de Ester e de Ruth.

Assim, considerando o que está sendo buscado é o resgate das informações perdidas no tempo, gerações se passaram sem que o homem percebesse que não tinha ao lado, apenas, a sempre eterna rainha do lar. Mas, uma mulher guerreira, sim, capaz de se desdobrar em fibra, no seu reservado espaço nos progressos de modernização dos tempos.

Assinalamos de passagem que, a grande participação da mulher na vida moderna, acredita-se que não é fruto do movimento feminino ou coisas semelhantes. A ciência do século XX, foi sem dúvida a liberdade da mulher. As máquinas deixaram a mulher em condições de igualdade, para disputar o mercado de trabalho. A grande disputa do século foi pela excelência, não importa o sexo. Como define o psicanalista Cuselinir, “ A sensibilidade a afetividade e a intuição, são pontos a favor da mulher e ela não deve, em hipótese alguma, abrir mão deles”.

Permite-se neste artigo, que possa fazer um retrospecto de alguns nomes de grandes mulheres. Vejamos alguns destaques, a começar pelas heroínas: Anita Garibaldi, Ana Néri, Madre Tereza de Calcutá; políticas, como: Evita Perón, Margareth Tatcher, Indira Gandi, Golda Maeir; revolucionárias como Olga Benária, Emma Goldman, Rosa Luxemburgo; intelectuais como: Mary de La Riveere, a primeira mulher jornalista, Madame Cury, a primeira mulher a receber o prêmio Nobel duas vezes, Raquel de Queiroz a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, Narcisa Amália, foi a primeira mulher a se profissionalizar como jornalista, Nélida Pinõn, a primeira mulher a assumir a presidência da Academia Brasileira de Letras. Ativista cultural como: Patrícia Galvão, a “Pagu”, sendo a primeira mulher a ser presa no Brasil.

Não pára por aqui, hoje em nosso meio temos mulheres, como a Senadora Roseana Sarney, a primeira Governadora do Maranhão. Empreendedoras como Zenira Fiquene, Alessandra do Socorro, Josilda Bogéa, Hilda Bogéa, Intelectuais como, Ceres Fernandes, Maria Tribuzi, Rosemary Rego, Rita Santos. Educadoras como: Maria de Jesus, Maria Raimunda Pinheiro, Elizabeth Pinheiro, Ivanilde Pinheiro Leal e tantas outras que têm garra, coragem , que combinam com a imagem da mulher moderna.

Essas mulheres importantes, mencionadas, não serão os mitos ou modelos. Não será que cada mulher é heroína, e que tem papel central na História? Não foram as mulheres anônimas que fizeram o grande povo da mãe África, o grego, o romano, o hebreu e todos os outros povos, inclusive o povo brasileiro? O que seria dos mitos sem o povo para lhes festejar? Nada!

Não serão heroínas as mulheres que se consagram aos seus filhos e os transformam em pessoas conscientes e dignas ? Serão Mártires, ou Santas, as mães pobres e famintas, que, mesmo à beira da morte, não abandonam seus filhos e tentam desesperadamente, valendo-se de seus seios, que já não têm leite. As mulheres das plantações dos canaviais, dos arrozais, dos cafezais, dos seringais? E das favelas, das palafitas, das que recebem salário mínimo próximo à exploração escravista. Não serão heroínas as mulheres que trabalham e estudam para superarem seus limites e tornarem-se vencedoras nas mais variadas profissões de um mundo globalizado, e que sonham com a aventura em busca do ensino superior...

Portanto, ao nosso redor, há um grande número dessas mulheres, tão grandes como as maiores da história, que ainda a mídia não descobriu como a jovem Cássia Roberta, Maria da Soledade, Raimunda Soares, Domingas Frazão, que conseguem ser como uma vela, que se gasta vagarosamente, para melhor se harmonizar a vida com a sociedade.

Pois bem, hoje o País mudou muito, mas as mulheres mudaram muito mais, considerando-se que a mulher é parte fundamental da sociedade moderna, por ser criadora de energia. Homens e mulheres, juntos, podem decidir sobre o melhor investimento dos projetos e objetivos que são comuns, evitando-se as tão sacrificantes competições e violências neste mundo moderno.

Afinal, aqui, fazemos uma homenagem a todas as mulheres e em especial ao seu dia (8 de março) – Dia Internacional da Mulher. É apenas uma lembrança deste encontro, pedindo, não só pela não-discriminação, pois há uma dívida moral e histórica que não admite moratória.

*Escritor, crítico literário, estudante de sociologia e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.

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