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Uma guerreira que deixa saudades
O sentimento e o poder da mulher
8 de Março – Dia Internacional da Mulher: o que comemorar e porque ainda lutar
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Opinião
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8 de Março – Dia Internacional da Mulher: o que comemorar e porque ainda lutar

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Data de Publicação: 9 de março de 2008
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Opinião

Mary Ferreira*

As mulheres estão novamente nas ruas e praças com suas bandeiras e faixas comemorando o 8 de março - Dia Internacional da Mulher. Embora esta data esteja se transformando em uma data festiva e até mesmo comercial – as mulheres estão recebendo flores, bombons e homenagens - deve ser relembrada como símbolo de luta das mulheres que querem transformar o mundo. Simboliza o sacrifício de 157 operárias mortas quando reivindicavam a redução da jornada de trabalho. Desde sua promulgação em 1910, muitas décadas distanciam os longínquos anos do Séc. XX. Muitas transformações ocorreram. Greves, passeatas, caminhadas, muita perseguição policial marcaram a luta das mulheres por cidadania, dignidade e paz.

Da luta resultaram muitas conquistas: Delegacias da mulher, conselho da condição feminina, Secretaria Nacional, Estadual e Municipal de Políticas para as Mulheres, política de cotas. Elaboramos uma Constituição que nos contempla na igualdade de direitos, conquistamos o aborto legal, a licença maternidade, e, mais recentemente, a Lei Maria da Penha. Com a Lei vieram as Varas Civis que garante um novo tratamento para os casos de violência doméstica ao estimular um amplo debate em toda a sociedade e obriga o Estado a tomar medidas para coibir e punir agressores.

De fato são muitas conquistas, porém quando se trata de analisar a participação das mulheres nos espaços de poder notamos uma ausência preocupante que nos leva a afirmar que nos processos de decisão os homens ainda reinam soberanos. Dados publicados esta semana na grande imprensa evidenciam isso: O Brasil está nos últimos lugares dentre os 156 países avaliados pela União Interparlamentar (UIP) ocupa a 108 posição no que se refere ao número de mulheres na Câmara de Deputados, que representa 9%, ou seja, 46 deputadas entre 513 membros. No Senado, 12,3% são mulheres, dez de um total de 81 senadores. Países como Gâmbia, Sierra Leoa, Níger, Síria, Sudão, China e Iraque estão em melhor situação que o Brasil no que se refere à participação feminina no poder.

Essa situação se reproduz em todas as câmaras municipais e assembléias legislativas do País. Vejam o nosso caso: A Assembléia Legislativa do Maranhão tem 42 deputados, mas somente 7 são mulheres, na Câmara de São Luís são 2 vereadores, o mesmo número se repete na Câmara Municipal de Lima Campos, Coroatá e tantas outras que as mulheres estão sub-representadas.

Somos constantemente questionadas: Por que isso acontece? As mulheres não gostam de fazer política? Não querem? Não sabem? Ao analisar e estudar o problema afirmamos que a desigualdade na representação é fruto do modelo patriarcal, que continua vivo nas práticas políticas, e reflete nos diferentes espaços de poder: no legislativo, no judiciário, nas universidades, nos sindicatos, nos partidos, na estrutura das igrejas, e em tantos outros espaços onde se discute e decide novos rumos para a sociedade.

As mulheres estão nesses espaços sim, porém poucas conseguem romper as barreiras que interditam seu reconhecimento como líder e sujeito de mudanças. São raras as exceções. Esses espaços foram criados obedecendo a uma lógica masculina que dificulta as disputas entre os gêneros. O homem é visto como senhor, soberano, dono do espaço. Em geral lhe são outorgado poderes considerado “naturais”. As mulheres, diferentes dos homens, precisam se justificar constantemente que são competentes, que dominam tal tema. É cobrado das mulheres um comportamento “adequado” ao ambiente que em geral não é cobrado dos homens. O espaço é deles!

As mulheres são cobradas e questionadas pelo modo de vestir, de maquiar, de falar, de gesticular, são criticadas até mesmo quando choram em público. “Mulher que está na política não pode chorar! Isso não combina!” Os espaços de poder deve ser um lugar de fortes, destemidos/as, agressivos/as. Será? Diria que não. O lugar de poder é o lugar de quem tem capacidade de argumentar, defender posições, criar estratégias, enfrentar o debate, de se emocionar. E as mulheres já fazem isso há séculos. A história é testemunha, basta buscar as muitas mulheres que enfrentaram disputas, sem entregar os pontos, mesmo quando parecia que o mundo estava contra elas.

Vejam o caso de Maria Aragão, Delta Martins, Florilena Aranha, Ieda Batista, Helena Helluy, Conceição Amorim e Conceição Formiga em Imperatriz. Lembram o caso de Célia Pires, Conceição Raposo... São tantas mulheres... Vejam agora o caso de Sandra Torres que luta para ser reconhecida como pré-candidata do PDT, e Mara La Roque que enfrenta uma luta em Imperatriz para se colocar como candidata.

Os exemplos demonstram múltiplas formas de exercício do poder. Muitas com uma dose de emoção e paixão. Esse pode ser um caminho, porque não experimentar?

*Bibliotecária, doutora em Sociologia, professora da Ufma e integrante do Grupo de Mulheres da Ilha.

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