Roberto Rocha
O Maranhão precisa muito caminhar para alcançar o nível de desenvolvimento de outras regiões do país. Foram muitos anos de entorpecimento até chegarmos a níveis verdadeiramente incompatíveis com o potencial de nossas condições de clima e localização. E como estamos a grande distância em muitos dos indicadores que medem esses estágios, tomemos por base Santa Catarina, por exemplo, fica a certeza de que, para recuperarmos o tempo perdido, teremos que trabalhar dobrado daqui pra frente.
Dos vários aspectos em que esse atraso mais se manifesta, as condições de vida das quebradeiras de coco configuram uma questão emblemática a depor contra a atividade política no Maranhão. É uma situação que, embora silenciosa, lá permanece como um forte desafio às promessas de competência e utilidade com que nos candidatamos a representar os interesses da população humilde de nosso Estado. É como se aquelas trabalhadoras lá estivessem a denunciar a nossa acomodação diante das enormes desigualdades sociais em nosso país.
E já que decidimos melhorar resultados como forma de reduzir distâncias, não podemos descurar do desenvolvimento científico e tecnológico, tão diligentemente trabalhado nas regiões mais desenvolvidas. Buscar caminhos para diminuir a exclusão social e melhorar o nível de vida da população são os grandes objetivos da ciência, da tecnologia e da inovação. São conhecimentos de que nenhum governo pode prescindir, e o Maranhão tem na Fapema a sua competente ferramenta para a promoção dessas políticas.
A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão, a Fapema, tem a grande missão de promover o ensino, a pesquisa e a extensão, tudo de forma a permitir o desenvolvimento sustentável de nossas potencialidades. Mediante convênios com agências e organismos de fomento, ela já desenvolve vários programas especiais, tais como Maranhão Biodiesel, Engenharia Aeroespacial, Pólo de Software, Inclusão Digital, entre outros.
A Fapema, como todos sabem, foi reinstituída pelo governador José Reinaldo em 2003. Antes disso, em 1998, ela havia sido fechada na esteira do desmonte empreendido pelo “supersecretário” Jorge Murad, evento tão atrapalhado quanto pasmoso. Imagine se alguém se aventurasse a fechar a Fapesp, órgão similar em São Paulo. Estaria certamente exposto a um verdadeiro linchamento. Não prosperaria em seu intento.
Mas é inspirado na utilidade incontestável da Fapema que quero voltar à questão das quebradeiras de coco e, aproveitando o ensejo, cumprimentá-las pela data de ontem, Dia Internacional da Mulher. E a melhor forma que encontro para homenageá-las é justamente conclamando todos no sentido de ajudarem a melhorar as condições de vida desse grande contingente humano que, lamentavelmente, ainda sofre dos rigores de um trabalho penoso e fisicamente degradante.
Portanto, aproveitando esse novo momento da Fapema, o entusiasmo de toda sua equipe e o apreço especial que o governador Jackson Lago tem pela instituição, lanço um desafio àquele órgão no sentido de aprofundar estudos com vistas a melhorar as condições daquelas trabalhadoras, ou seja, algo que permita maior conforto ao seu trabalho, além de uma melhor remuneração.
De minha parte, entre outros desafios que já me impus, quero aqui também assumir o compromisso público com essas duas causas: o fortalecimento da Fapema e a melhoria das condições de vida das quebradeiras de coco.
O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos. contato@robertorocha.com.br