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Data de Publicação: 9 de março de 2008
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Em uma sessão comemorativa ao Dia Internacional da Mulher, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou o pagamento de indenizações a sete mulheres perseguidas pelo regime militar, que vigorou entre 1964 e 1985.

Entre as beneficiadas estão Clara Charf, viúva do líder guerrilheiro Carlos Marighela, assassinado em 1969, e Nancy Mangabeira Unger, irmã do ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger.

Foto:WILSON DIAS/ABR
Clara Charf , reconhecida como anistiada política, terá direito a R$ 2,5 mil mensais

Charf, 82, que foi presa pela repressão, exilou-se em Cuba nos anos 70 e depois ajudou na fundação do PT, receberá mensalmente a quantia de R$ 2.520 até o fim da vida. Também será pago o valor mensal retroativo aos últimos cinco anos.

Já Nancy, que militou no antigo PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), terá direito a R$ 100 mil, em parcela única. Ao ser presa, em Recife, teve o polegar direito decepado por um tiro de fuzil.

Outras cinco mulheres haviam sido declaradas anistiadas: Ana Wilma Oliveira Moraes, ligada à Aliança Libertadora Nacional (ALN), Estrella Dalva Bohadana Bursztyn, do POC (Partido Operário Comunista), Halue Yamaguti de Melo, do PCB (Partido Comunista Brasileiro), Beatriz Arruda, que foi casada com um deputado do antigo MDB e teve de se exilar com ele, e Maria do Socorro de Magalhães, que participava do movimento estudantil em Pernambuco. A sessão da comissão foi aberta ao público.

Todos os casos foram aprovados por unanimidade pelas seis conselheiras que participaram do julgamento.

“Só num regime democrático pode ocorrer uma sessão como essa. Democracia não é só o direito de votar, é o direito de saber a verdade”, declarou Charf.

A irmã do ministro Mangabeira Unger declarou que a geração de 1968, que iniciou a resistência à ditadura, não fracassou. “O que traz a grandeza não são somente os resultados palpáveis, mas aquilo por que lutamos. A geração de 68 era de acrobatas sem rede”, declarou.

A sessão teve momentos de emoção. Charf e Arruda, por exemplo, choraram. Também houve críticas ao governo.

“O Estado brasileiro ainda não pediu desculpas pelos crimes que cometeu. Não estou falando só de Lula, ou de FHC, mas do Estado”, disse Iara Xavier Pereira, ex-perseguida política que discursou no evento.

Os grupos guerrilheiros de esquerda também praticaram atos terroristas durante a ditadura e foram responsáveis pela morte de civis e militares.

Pelos critérios da comissão, há dois tipos de indenização: se o beneficiado tinha emprego fixo quando começou a ser perseguido, ele recebe um valor mensal baseado numa projeção de onde sua carreira estaria agora. Se não tinha emprego, recebe de uma única vez um valor de 30 salários mínimos por ano de perseguição, com o limite de R$ 100 mil.

No caso de Ana Wilma, por exemplo, a indenização será de R$ 2.000 por mês. Em 1969, ela trabalhava como secretária da empresa Folha da Manhã, que edita a Folha de S.Paulo, quando foi presa e perdeu o emprego. “É incrível entrar no Ministério da Justiça para ser homenageada. Eu sempre entrei nos órgãos do governo encapuzada”, afirmou Ana Wilma.

O presidente da comissão, Paulo Abrão, disse que as sete mulheres foram escolhidas por serem “representativas” das demais que pleiteiam o benefício e por terem o processo concluído. Nos últimos cinco anos, 30 mil casos foram julgados pela comissão e, em cerca de 50%, os pedidos foram aceitos.

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