A Polícia Federal impediu nesta quinta-feira (6) a entrada de oito espanhóis que tentavam desembarcar no aeroporto internacional de Salvador (Bahia), segundo reportagem do “Jornal da Globo”.
Cinco homens e três mulheres foram barrados ao desembarcarem, por volta das 21h15, em um vôo da Air Europa. Eles foram enviados de volta à Espanha às 23h30.
A PF alegou que alguns dos espanhóis apresentavam irregularidades na documentação e outros não haviam declarado o dinheiro que traziam ao país. O delegado da Polícia Federal Francisco Miguel Gonçalves disse ontem que a deportação dos espanhóis foi por respeito à lei, e não por retaliação às deportações efetuadas recentemente por parte da Espanha. Gonçalves é chefe do setor de imigração do aeroporto internacional de Salvador (BA) há dez anos.
“Não é represália. É um trabalho de rotina que visa prevenir a imigração ilegal e o tráfico de drogas sintéticas e que foi intensificado na semana passada, por ordem do superintendente da Bahia, César Nunes. Deportação de estrangeiros é uma coisa que acontece sempre aqui, mas em menor escala – um ou dois passageiros por vez.”
Retaliação – O Itamaraty anunciou nesta quinta-feira (6) que estuda adotar medidas de retaliação ao governo espanhol pela detenção de brasileiros no aeroporto de Barajas, Madri.
Na quarta, outros dois brasileiros – Pedro Luiz Lima e Patrícia Rangel – foram impedidos de entrar na Espanha para escala rumo a Portugal. Os dois estudantes de mestrado deveriam apresentar trabalhos em um congresso de ciências sociais em Lisboa.
O número de brasileiros barrados no aeroporto aumentou mais de 20 vezes em um ano e meio, de acordo com dados da embaixada do Brasil na Espanha. Só em fevereiro deste ano, 452 brasileiros foram impedidos de entrar no país.
A reciprocidade diplomática é a adoção por um país de medidas iguais às impostas por outro Estado aos seus cidadãos. Ou seja, como a Espanha barra cidadãos brasileiros em seu território, o Brasil passaria a fazer o mesmo com os espanhóis no Brasil.
O princípio da reciprocidade já foi adotado em 2004 pelo Brasil, mas em retaliação aos Estados Unidos. Um juiz federal determinou que todos os norte-americanos que entrassem no Brasil deveriam ser fotografados e fichados, mesmo procedimento adotado em relação aos brasileiros nos Estados Unidos.
A medida causou protestos de entidades ligadas ao turismo e até a detenção do piloto Dale Robbin Hersh, que no momento da foto segurou o papel com seu número de identificação mostrando o dedo médio. Hersh pagou multa de R$ 36 mil e foi deportado.
(Folha Online)