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Edição 22,542
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Editorial
Chantagem

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Data de Publicação: 8 de março de 2008
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Como previra o Jornal Pequeno, tudo não passou de mais uma chantagem patrocinada pelo senador José Sarney, a que a República se sujeita em nome da capacidade que tem o PMDB de conseguir cargos públicos por via de negociatas mal explicadas.

Chega-se a ter a impressão de que o regime presidencialista transforma o Poder Executivo em refém das piores figuras do Congresso. A licença anunciada de José Sarney, caso se concretizasse, poderia ter sido motivada por um choque de interesses de segunda categoria, já que sua gana por cargos no setor elétrico chega às raias da obsessão.

É cada vez mais evidente que o loteamento de cargos só desmoraliza a Nação. O poder deve ser exercido com espírito público, com visão de estadista e os palácios governamentais não têm que ser transformados em balcões de negócios. Principalmente quando os guindados aos cargos são pessoas suspeitas de má gestão e até de malversação de recursos públicos.

Observe-se que o senhor Astrogildo Quental freqüentou durante anos as crônicas das suspeitas de corrupção do Estado do Maranhão e agora é premiado com o cargo de diretor financeiro da Eletrobrás.

Fica difícil crer na honestidade de gestões que se consolidam através de tiroteios verbais, armadilhas diplomáticas e chantagens. A Nação assiste envergonhada ao homem dos bois de ouro, Renan Calheiros, depois de transformar o Senado da República numa banca de orgias financeiras, indicar nomes para a BR Distribuidora. Ou o senhor Jader Barbalho, responsável por um assalto milionário aos cofres da extinta Sudam, emplacar o nome de Lívio Rodrigues de Assis na presidência da Eletronorte. E Sarney, que perdeu Silas Rondeau no MME para o propinoduto do Congresso, emplacar Lobão no Ministério das Minas e Energias.

Acima de todas essas escaramuças pelo dinheiro do poder, deveria estar a dignidade dos brasileiros. A energia é a matéria prima de sobrevida de qualquer dos povos do mundo nos dias de hoje. Mas neste setor o Brasil já pode esperar pela explosão de denúncias e escândalos que mais uma vez deixarão a todos boquiabertos. Os nomes do Ministério fazem essa premonição indesmentível. Errar é humano, persistir no erro é burrice. Infelizmente, temos que dizer que o presidente Luiz Inácio da Silva sabe que está errando mais uma vez.

Sarney nunca teve a intenção de pedir licença coisa nenhuma, muito menos para produzir literatura. Estava apenas praticando o tipo de literatura que mais conhece: da burla, do engodo, da chantagem.

Embora se saiba que qualquer presidente da República depende de maioria no Congresso para tocar os projetos do país, não podemos ser complacentes com um presidente que se deixa chantagear vezes consecutivas pelas mesmas figuras enlameadas de sempre. Principalmente quando ele tem consciência de que está colocando em risco um dos setores mais sensíveis da Nação: o que garante desenvolvimento, progresso e algum conforto para a população.

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