O DIA SEGUINTE DA TEMPESTADE
Ontem, dia seguinte ao temporal que desabou em São Luís, derrubando várias árvores – muitas delas atingindo a rede elétrica –, alguns bairros de São Luís ainda estavam sem energia elétrica, como Bequimão, Maiobão e Aurora.
Na rua Frei Hermenegildo (Aurora), até ontem ao meio-dia a energia elétrica ainda não havia sido restabelecida. A comerciária Francy Pinheiro tentou obter uma resposta da Cemar (Companhia Energética do Maranhão), mas frustrou-se. “Liguei para a Cemar por volta das 13h de quarta-feira, me pediram para aguardar de 2 a 4 horas, mas até agora (cerca de meio-dia de quinta-feira) o fornecimento ainda não foi normalizado”, disse.

Para Francy, a Cemar deixou a desejar no atendimento aos usuários e na resolução dos problemas. “Há uma total falta de compromisso da empresa em relação ao consumidor”, afirmou.
No Ipase, a falta de energia também se estendeu até a madrugada de quinta-feira, conforme contou a moradora Celma Leal Cavalcante.
A Cemar informou que aumentou de 15 para 40 o número de equipes de reparos. A medida, no entanto, não foi suficiente para atender à elevada quantidade de chamados. Apenas na manhã de quinta-feira, foram registradas mais de 450 solicitações de usuários.
População ainda se refaz do susto com o temporal
Morador da casa 20 da rua Bom Jesus, no Coroadinho, Evandro César Pinheiro foi uma das vítima das fortes chuvas, acompanhadas de ventania, de quarta-feira. Na manhã de ontem, Evandro observava os estragos causados pelo temporal. O morador afirmou que já perdeu a conta de quantas vezes ficou ilhado em casa por conta das inundações.
“Moro aqui há 15 anos e sempre convivemos com este problema. Mas, nos últimos anos ele aumentou por causa de umas obras que foram iniciadas em outras ruas. O entulho foi levado pelas chuvas e entupiu as galerias. Depois disso, deixamos de viver em uma casa e começamos a morar em uma ilha”, ironizou. Para evitar que a água invada sua casa durante as chuvas, Evandro construiu um batente de quase meio metro.
Além de moradores, donos de estabelecimentos comerciais também foram prejudicados pelas chuvas. O estofador Geraldo Rodrigues Moreira, que possui um ponto comercial há apenas quatro meses na rua Bom Jesus, já decidiu que vai sair do local. “Como é que eu vou ficar ilhado se dependo dos meus clientes? Se não bastasse a água da chuva, que às vezes demora dias para escoar, a lama que fica na porta estende nosso sofrimento por semanas”, disse o estofador.
No Bequimão e adjacências, as chuvas também trouxeram transtornos. Funcionárias do salão Belas Artes Cabeleireiros, ficaram aterrorizadas com as chuvas. “A chuva arrancou um telhado de um prédio bem ao lado daqui. O vento veio tão forte que o telhado parecia de papelão”, relatou a cabeleireira Celma Leal Cavalcante, moradora do Ipase.
(José Linhares Jr. e Redação)