Confirmada a indicação de Muniz Lopes para a presidência da Eletrobrás, Sarney já avisou que não se licenciará mais do Senado
Atendido pelo Planalto, que nomeará o presidente da Eletrobrás de sua escolha, o senador José Sarney (PMDB-AP) não vai mais tirar licença do mandato. Confirmada a indicação de seu ‘afilhado’ José Antonio Muniz Lopes para a presidência da estatal, na terça-feira, ele comunicou ao líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), que desistirá da idéia. Ontem, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou os nomes que ocuparão a presidência e diretoria da Eletrobrás e Eletronorte, entre eles Antônio Muniz.
Irritado com a disputa com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em torno do loteamento do setor elétrico, Sarney anunciara que pediria a licença para se dedicar à literatura (escrevendo o livro de memórias Boa Noite, Presidente – Testamento para Roseana) . O gesto seria seguido por sua filha, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), e por Gilvan Borges (PMDB-AP), enfraquecendo em pelo menos três votos a maioria, já estreita, que o governo tem no Senado.
O último obstáculo que poderia atrapalhar a eleição de Muniz pelo Conselho Administrativo da Eletrobrás, marcada para ontem à tarde, foi removido na quarta-feira. O Tribunal de Contas da União (TCU) acatou recurso inocentando-o da suspeita de erro de gestão na Eletronorte, estatal que ele presidiu depois de passar pelo comando da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).
Por decisão unânime, o TCU livrou Muniz do pagamento de multa de R$ 3 mil, pela contratação de um projeto supostamente desnecessário. Tanto o relator Augusto Nardes como o ministro Ubiratan Aguiar, que pedira vista do processo havia duas semanas, avaliaram que o serviço contratado pela Eletronorte era necessário para subsidiar uma decisão que envolvia a compra de energia de uma usina privada.
Força política – Mais do que o comando da mais importante estatal do setor elétrico, estava em jogo a força política do ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA), que também foi indicado pelo amigo José Sarney, com o apoio oficial da direção do PMDB e da bancada do Senado. Mas as indicações de Sarney não param aí. O novo diretor financeiro da Eletrobrás, Astrogildo Quintal, é outro ‘afilhado’ seu.
Raupp também venceu uma queda-de-braço com o PT. Embora o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), lutasse para indicar um nome para a Diretoria de Construção de Furnas Centrais Elétricas, quem levou a melhor foi o PMDB. O cargo será de Antonio de Pádua, sugerido pelo líder.
No início da semana foi a bancada federal do PMDB de Minas que derrotou o PT do senador Delcídio Amaral (MS). A Diretoria Internacional da Petrobrás ficou com Jorge Zelada, como queriam os deputados mineiros.
O ‘afilhado’ de Delcídio, que tinha o apoio do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu um belo prêmio de consolação: ficou com Nestor Cerveró a Diretoria Financeira da BR Distribuidora. O deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) também conseguiu emplacar Lívio Rodrigues de Assis na presidência da Eletronorte.
(Agência Estado)