Por Oswaldo Viviani
CASO VALDECY ROCHA
O ex-cabo da Polícia Militar Gilvan Pereira Varão, 42, foi condenado ontem a 18 anos de prisão, pelo assassinato do advogado Valdecy Ferreira Rocha, 52. O crime, ocorrido em 30 de novembro de 2005, causou grande comoção em Imperatriz – cidade onde ocorreu o assassinato –, mobilizando a população e entidades da sociedade civil da cidade, que organizaram vários atos pedindo a punição dos culpados. Duas pessoas apontadas no inquérito como mandantes do crime – Irani Vieira (viúva de Valdecy) e o advogado Alexandre Moura Lima Neto – aguardam julgamento em liberdade. Gilvan Varão já havia sido condenado, em 23 de outubro do ano passado, a 25 anos e meio de prisão por outro assassinato, que teve como vítima o mecânico José Ferreira, o “Zé Pretinho”, morto em 6 de dezembro de 1993.

O julgamento de Gilvan Varão referente ao assassinato de Valdecy Rocha foi realizado no Fórum Henrique de La Rocque (centro de Imperatriz). Começou na terça-feira, 4, pela manhã e terminou ontem à tarde. A juíza Samira Barros Heluy presidiu o júri.
Crime diante da Prefeitura – Passava um pouco das 17h do dia 30 de novembro de 2005 quando o advogado Valdecy Ferreira Rocha, de 52 anos, atendeu a um telefonema em seu escritório, localizado na sala 301 do edifício Antenor Bastos, na rua Rui Barbosa, a uma quadra da Prefeitura de Imperatriz. “Tô todo enrolado”, teria dito o advogado a sua sobrinha, Marília Marinho, que trabalhava como sua secretária no escritório, logo após desligar o telefone.
Minutos depois da estranha ligação, Valdecy apanhou sua pasta e desceu para a rua. Seu carro – uma caminhonete D-20 branca com carroceria de madeira – estava estacionado quase em frente à Prefeitura.
O advogado se preparava para ligar o veículo quando teve sua cabeça imobilizada por um homem que enfiou um braço pela janela, agarrou seus cabelos e empurrou a cabeça para baixo. Na outra mão, o homem trazia um revólver, com o qual desferiu um só tiro na região da nuca de Valdecy Rocha.
Assim que o matador largou a cabeça de sua vítima, ela pendeu e o queixo encostou no peito. As primeiras pessoas que chegaram ao local do crime tiveram a impressão de que Valdecy estava apenas dormindo. Mas o advogado estava morto. Assassinado em plena luz do dia, diante da Prefeitura e a menos de 100 metros do Fórum da cidade.
O pistoleiro fugiu numa motocicleta Honda Titan preta, pilotada por um comparsa, que nunca foi localizado.
Dezesseis dias depois do crime, o delegado Rodson Almeida, designado para presidir o inquérito sobre o assassinato, apresentou à imprensa o ex-cabo da Polícia Militar Gilvan Pereira Varão como o matador de Valdecy Rocha. A polícia concluiu que Gilvan foi o homem que matou o advogado depois que pelo menos três testemunhas oculares o reconheceram. O ex-PM nunca confessou o crime.
Ex-mulher envolvida – Em matéria publicada em 21 de julho de 2006 – quase oito meses depois do crime –, o Jornal Pequeno revelou que a ex-mulher de Valdecy, a enfermeira Irani Vieira Rocha, 52, era a principal suspeita de ser a mandante do assassinato de encomenda.
Irani – dona da Escola de Enfermagem Nova Dinâmica (localizada perto da Uema de Imperatriz) –, estava separada de Valdecy há cerca de 5 anos e travava na Justiça uma disputa pela partilha dos bens do advogado, que totalizam perto de R$ 6 milhões (duas fazendas no estado do Tocantins, cerca de 1500 cabeças de gado e várias casas e terrenos em Imperatriz e Augustinópolis (TO).
Prisão de acusados – Em novembro de 2006, Irani Vieira foi presa, juntamente com o advogado Alexandre Moura Lima Neto, 28. Os dois foram acusados de serem os mandantes do crime de encomenda que vitimou Valdecy Rocha.
De acordo com o delegado Rodson Almeida, Alexandre (que é bastante conhecido na cidade de Colinas) foi contratado por Irani para cuidar da partilha dos bens de seu ex-marido e acabou por se envolver amorosamente com Irani, passando a ajudá-la a arquitetar a morte de Valdecy. Pouco tempo depois de serem presos, Irani e Alexandre foram libertados por conta de habeas corpus impetrados por seus advogados.