Por José Linhares Jr
Dia da caça
Polícia dá detalhes sobre operação que impediu assalto em Alto Alegre
Roubaram pouco dinheiro, foram surpreendidos pela Polícia Civil e ainda tiveram parte do bando preso e outros mortos em confronto com a polícia. Assim, os delegados André Gossain e Jéferson Portela definiram o assalto frustrado à agência do Bradesco de Alto Alegre, ocorrido na tarde de segunda-feira, 3. “A Polícia Civil cumpriu sua parte. O assalto foi interrompido e a população da cidade não sofreu nenhum tipo de trauma durante a operação”, frisou o delegado geral Jéferson Portela.

Os delegados deram entrevista coletiva na tarde de ontem na sede da Delegacia Estadual de Investigação Criminal (Deic) em que forneceram detalhes do assalto e da operação policial que resultou na prisão de dois integrantes da quadrilha, na morte de outros quatro e no sumiço de um. Foram apresentados Luiz Alberto Lago Sousa (o Luizinho da Norsegel) e Adalton Gomes Martins (o Pardal).
Além disso, os policiais revelaram a identidade dos quatro bandidos mortos durante o tiroteio com a Polícia Civil. Foram mortos João Neto Feitosa (o Flor da Noite), Benerval Tavares Fonseca (o Magrão), Marcos Antônio Oliveira Mendes (o Marquinhos) e Pedro Paulo Araújo Filho. As armas apreendidas na operação (duas escopetas calibre 12, uma carabina ponto 30 e uma pistola 380) também foram mostradas durante a entrevista.
Boca na botija – De acordo com as investigações da Polícia Civil, a quadrilha, formada por nove integrantes, estava planejando roubar o banco há cerca de uma semana. “Tivemos depoimentos de moradores que afirmaram que a movimentação em Buriticupu e Alto Alegre do Pindaré começou há cerca de uma semana. Eles observavam a movimentação da Polícia e dos funcionários do Bradesco, além de estocar provisões”, explicou Gossain.
No dia do crime, a Deic realizava uma operação na região junto com o Grupo Tático Aéreo (GTA). De acordo com Jéferson Portela, os policias já fazem este tipo de ronda pelo interior do estado com o intuito der intimidar e frustrar assaltos.
“Estávamos em uma cidade vizinha quando um motorista de van nos avisou que uma caminhonete havia sido tomada de assalto na BR e que o veículo se dirigiu rumo a Alto Alegre do Pindaré. Dois agentes nossos à paisana foram até Alto Alegre e passaram o rádio confirmando que o assalto havia acontecido”, relatou André Gossain, diretor geral da Deic.
Sem chance alguma – No dia do crime um grupo de sete assaltantes se dirigiu à delegacia de Alto Alegre do Pindaré onde rendeu e tomou dois policiais militares como reféns. “Moradores desconfiaram da ação e avisaram funcionários e clientes do banco. Quando eles (assaltantes) chegaram à agência, não havia ninguém e o cofre estava fechado. Tentaram abri-lo com balas, mas não conseguiram. Levaram apenas uma quantia dos caixas que nós da Polícia acreditamos ser pouca. Contudo, o Bradesco ainda não divulgou a quantia”, contou o delegado Gossain.
Os policiais da Deic, que estavam em um grupo de 20, decidiram impedir a passagem de saída na BR utilizando três caçambas. Eles ainda se posicionaram fortemente armados no alto de morros nas laterais da estrada, assim foi armado o bloqueio. “Quando avistamos os assaltantes, disparamos contra os pneus do veículo em que eles estavam. Os bandidos revidaram com disparos de carabina Ponto 30. Notamos que havia reféns dentro do carro e cessamos os disparos. Eles voltaram para a cidade”, lembrou Gossain.
Os assaltantes se deslocaram para as margens do Rio Pindaré onde reiniciaram o tiroteio com a polícia. Um dos policiais militares que estava em poder dos assaltantes foi baleado e deixado no meio do caminho. Quatro integrantes do bando resolveram continuar o enfrentamento dos policiais, enquanto outros dois aproveitaram a situação para fugir. “Todos os que enfrentaram a Polícia Civil morreram, os dois que fugiram aproveitaram o confronto”, disse Gossain.
Um outro bandido que trocou tiros com a polícia está desaparecido. Segundo policiais que participaram da operação que resultou na frustração do assalto, ele pode ter morrido. “Ele estava em uma canoa, portava uma pistola 380 e disparou contra a Polícia. Na troca de tiros ele foi alvejado e caiu no rio. Temos fortes indícios para acreditar de que ele morreu”, cogitou André Gossain.
Após o confronto, os policiais se deslocaram para Buriticupu, onde foram presos em suas residências Pardal e Luizinho da Norsegel. Os dois não reagiram à prisão. “Eles deram todo o apoio logístico para a quadrilha. Realizaram o transporte deles, os alojaram em suas casas e ainda emprestaram dinheiro para a compra de munição. O Luizinho, inclusive, foi despedido da empresa em que trabalhava por suspeitas de passar informações a assaltantes”, falou Gossain.
“O magrão já havia participado de assaltos em Buriicupu e Pio XII e, assim como outros, já era velho conhecido da Polícia. A operação de segunda-feira é uma prova de que estas quadrilhas de roubo a banco terão respostas imediatas em suas tentativas de assalto no Maranhão. A objetividade e o sucesso da Policia Civil na ação está de parabéns”, concluiu o delegado geral Jéferson Portela.