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Sarney diz que desconhecia profundidade de ajuda de D. Eugênio a exilados políticos

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Data de Publicação: 5 de março de 2008
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Memórias da ditadura

Brasília - O senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) se disse surpreso ao tomar conhecimento da atuação do cardeal-arcebispo emérito do Rio, dom Eugênio Sales, na assistência e abrigo dos perseguidos das ditaduras militares no Brasil e em outros países da América Latina. Os detalhes da ajuda do religioso a esquerdistas foram revelados em reportagens do jornal “O Globo” de domingo e segunda-feira.

– A atuação de dom Eugênio foi muito importante para o país durante aquele período. Ele exerceu uma ação de resultados e não de militância. Eu me surpreendi. Sabia que dom Eugênio tinha, ao seu jeito, ajudado muito em relação aos direitos humanos, mas não sabia com aquela profundidade - afirmou

FH sabia da ‘solidarieddae discreta’ do cardeal – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que sabia da “solidariedade discreta” do cardeal-arcebispo emérito do Rio dom Eugenio Sales com os presos políticos, mas ficou surpreso com a informação de que ele ajudava uma rede de quatro mil foragidos das ditaduras do Cone Sul. Fernando Henrique contou que, durante a ditadura militar, foi mais ligado a dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, franco opositor do regime.

Segundo o ex-presidente, assim como dom Eugenio, dom Paulo mantinha relações com o general Sylvio Frota, um “católico fervoroso e cheio de contradições”.

– Tinha muita ligação com dom Paulo. Muita, muita mesmo. Com dom Eugenio tinha menos, mas sabia da atuação discreta dele. Tanto tinha admiração por ele que, às vésperas da eleição de 1994, fui visitá-lo. Na época, as pessoas não entendiam muito, porque ele era um conservador. Mas sempre o achei um homem digno - contou ele.

O cardeal abrigou mais de quatro mil pessoas perseguidas pelos regimes militares do Cone Sul entre 1976 e 1982. Para integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a atuação do cardeal de linha conservadora, durante o regime militar, explicitou o seu papel estratégico para a unidade da Igreja no Brasil.

Bispos ouvidos pelo jornal ressaltaram que a ação silenciosa de Dom Eugenio foi fundamental para manter a identidade da Igreja brasileira mesmo diante das divergências de opção pastoral daqueles tempos - entre progressistas e conservadores.

Na CNBB, a postura do cardeal é vista como um dos fatores que permitiram que a atuação da Igreja Católica do Brasil fosse diferente da Argentina durante as ditaduras militares no continente, entre os anos 70 e 80. Enquanto o episcopado brasileiro se unia na oposição à ditadura, a hierarquia católica argentina apoiava o regime militar.

(Gerson Camarotti e Soraya Aggege - O Globo)

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