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Edição 22,539
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Editorial
Uma guerra no quintal

Uma guerra no quintal

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Data de Publicação: 5 de março de 2008
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Seres verdadeiramente humanos não gostam de guerras, não fazem parte delas e geralmente restringem suas lutas aos ideais pacifistas que marcaram a humanidade, como os de Mahatma Gandhi e tantos outros.

Neste momento, o deslocamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) está prestes a provocar uma guerra bem aqui no quintal do Brasil com conseqüências imprevisíveis para a América Latina.

É difícil entender que razões servem de razão a uma guerra. Mas é possível aferir em que elas são capazes de transformar as pessoas. Quem assistiu ao filme “O Julgamento de Nuremberg”, sabe a que nos referimos: montanhas de pessoas esqueléticas, mortas ou vivas, sendo arrastadas por tratores para a vala comum onde os preconceitos e a intolerância são capazes de deixar nossos corações; crianças assadas vivas, mulheres cozidas em gás e, além de tudo, um país inteiro, com seus governantes e generais em busca de uma “solução definitiva para a questão judia”, ou seja, eles precisavam encontrar formas mais rápidas de matar e se livrar dos corpos. Somente um criminoso de guerra confessou ter eliminado, nessas condições, 2 milhões e 500 mil pessoas em campos de concentração.

E a probabilidade dessa guerra em nosso quintal, centrada em ideologias escalafobéticas que misturam narcotráfico e socialismo, é um sinal muito ruim. Basta lembrar o que acontece no Iraque, onde um misto de fanatismo religioso e ganância por petróleo leva os homens a explodirem mulheres e crianças com a mesma naturalidade com que retiram uma maçã da macieira.

Também não se explica porque loucos varridos como Hitler, Mussolini e outros são seguidos pela humanidade. O fato é que forças militares se movimentam no continente e que, mais uma vez, bilhões de dólares investidos em armamentos podem ser utilizados para matar gente e colocar o Brasil, na condição de líder econômico da região, no centro de uma carnificina que pode se tornar global.

Essa, afinal, é a grande lição do capitalismo: vale tudo em nome do lucro. E custa crer que fabricantes de armas não estejam se assanhando neste momento para provocar uma corrida armamentista na América do Sul. Sem contar a denúncia do senador Sarney de que somente Hugo Chávez já investiu 7,1 bilhões de dólares em armas, inclusive submarinos russos.

Nem mesmo a esperança em uma intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA) pode nos deixar tranqüilos. Esse organismo internacional quase sempre é governado pelos Estados Unidos e talvez seja essa a oportunidade que um belicista de extrema direita como George Bush esperava para dar uma lição em Hugo Chávez e, ainda por cima, apagar da memória dos americanos o desastre econômico que provocou no país. A crise no continente latino-americano, portanto, não está restrita a escaramuças entre guerrilheiros e países potencialmente despreparados para a guerra. Ela pode ter conseqüências muito mais sérias do que acreditamos.

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