OS CARINHOS DE LULA
A recepção em Brasília, à beira do Lago Sul, na mansão do empresário paulista Rudi Bonfiglioli, líder do grupo do Banco Auxiliar de São Paulo, parecia festa das Mil e Uma Noites. Champanhe francês, vinhos magníficos, empresários, políticos, jornalistas e o poder, a começar do presidente João Batista Figueiredo.
Onze da noite, em torno da piscina, um grupo conversava. Chega o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo Luiz Eulálio Bueno Vidigal Filho, cumprimenta o general Danilo Venturini, chefe do Gabinete Militar da Presidência da República:
- General, tenho uma idéia que gostaria de levar ao governo. Já que o governo não está dando dinheiro aos empresários, pelo menos poderia dar carinho. Gestos de carinho. Por exemplo: nas viagens ao exterior, o presidente poderia convidar alguns empresários para irem no avião dele.
O EMPRESÁRIO
O general ficou calado ouvindo. Luiz Eulálio foi em frente:
- Agora mesmo, o presidente está preparando sua viagem à Alemanha. Poderia convidar dois empresários para irem no seu avião. Seria um carinho.
- Quais empresários, por exemplo?
- O Bardella e eu.
Calado estava, calado o general continuou. Pasmo de espanto, Cláudio Bardella nada disse. Os demais empresários, políticos e jornalistas apenas sorriram. Do silêncio e do carinho.
O MINISTRO
Lula também gosta de "dar carinho". Para o povão, o Bolsa Família, mais do que justo, justíssimo: R$ 12 bilhões este ano, uma ninharia diante dos R$ 20 bilhões de lucros líquidos que garantiu, no ano passado, apenas aos quatro maiores bancos, e sobretudo diante dos devastadores R$ 160 bilhões de juros que pagou aos banqueiros e repetirá neste ano.
Para o Congresso, é conhecido o velho carinho de Lula: "300 picaretas na Câmara" e "o Senado não serve pra nada".
Agora, Lula resolveu "dar carinho" também ao Judiciário. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (e membro do Supremo), o veterano e respeitado ministro Marco Aurélio Mello, lembrou que os comícios nos Estados, em ano eleitoral, para lançamento do programa "Territórios da Cidadania" (R$ 11 bilhões distribuídos a mil municípios escolhidos a dedo), são proibidos pela Lei Eleitoral. Lula escoiceou:
O TRIBUNAL
- "É preciso perguntar a quem falou essa sandice (sic), se ele quer ser ministro ou político. Se quer ser político, renuncie lá e se candidate a um cargo para dizer as bobagens (sic) que quiser. Meta o nariz nas coisas dele e não nas coisas dos outros". (E ainda hilariamente comia os "s").
Aurélio: "Sandice: necedade, parvoice, insensatez, tolice". "Necedade: ignorância crassa, estupidez, inépcia". "Parvoice: demência".
O ministro continua estupefato com o tom de Lula, relembra o que manda a Lei Eleitoral e confessa que ficou "surpreso com o azedume". Também ele viu na TV o discurso de Aracaju e por isso relevou, deixou pra lá: mais uma vez Lula não sabia o que estava falando. No palanque, Lula estava vermelho, olhos injetados, rosto empapuçado, bem ao lado do "compadre Deda", governador de Sergipe, velho "companheiro de copo e de bar", como na canção de Vicente Celestino.
Em Garanhuns, em Jaguaquara, "carinho de jegue é coice".
GABEIRA
Até que enfim apareceu um candidato a prefeito do Rio, que merece, honra e dignifica um voto: Fernando Gabeira. Os partidos que devem apoiá-lo não podem deixar o Rio condenado a afundar-se ainda mais nos desvarios mussolínicos de César Maia, que renunciou e não avisou.
Também não pode a cidade ser afrontada pelos sacos de dinheiro (lembram-se do Maracanã?) do falso "bispo" Macedo, proprietário de dois candidatos: o sobrinho "bispinho" Crivela e o Wagner Montes. O PT no Rio não tem voto, pode lançar qualquer um só para encher o tempo de TV.
As grandes cidades do mundo, Nova York, Paris, Londres, Berlim, já sabem que um prefeito ruim é muito pior do que um governador e um presidente ruins. A população acorda, vive, dorme sujeita à competência ou demência do prefeito. Se é um insensato ou um corrupto, a cidade está frita. O verão está indo embora meio tosco, mas nos deixa esta bela notícia.
PALOCCI
Palocci, o inadequado, foi afinal denunciado pelo procurador geral da República por haver violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo, que cometeu o "crime" de testemunhar suas tórridas tardes de amor.
Palocci fingia de varão da República irritantemente escorado numa palavra: "adequado". Tudo para ele era "adequado" ou "não adequado". Não era "adequado" abandonar o gabinete às 18 horas para ir à farra.
DILMA
Escalada candidata do PT em 2010, a ministra Dilma já foi à feira:
- "O que não dá mais é o país viver de abobrinha". Muito gentil a competente e séria ministra. Ela chama os escândalos do "mensalão", dos vampiros, dos sanguessugas, dos cartões "incorporativos" etc., de abobrinhas. Ministra, são jacas imensas, rotundos pepinos.
(www.sebastiaonery.com.br)