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Política
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Ex-deputado diz que política é 'cachaça' e 'coisa para malandro'
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Ex-deputado diz que política é 'cachaça' e 'coisa para malandro'

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Data de Publicação: 4 de março de 2008
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O ex-deputado estadual Gilberto Gonçalves (PTN-AL), gravado pela Polícia Federal em conversa telefônica pedindo “dinheiro de roubo, de corrupção”, disse que está desiludido com a política. “A política foi uma cachaça que tomei.”

O jornal Folha de São Paulo publicou no domingo passado transcrição de conversa telefônica feita em março de 2007 pela PF, com autorização da Justiça, que integra inquérito sobre suposto esquema de desvio de dinheiro público.

Na conversa com o então diretor de recursos humanos da Assembléia de Alagoas, Roberto Menezes, Gonçalves ameaçava “estourar” a Assembléia se não recebesse sua parte. “Eu quero meu dinheiro certo. Que é dinheiro de roubo, de corrupção”, afirma o ex-deputado.

À Folha, na última quinta, Gonçalves, 46, negou participação no suposto esquema de desvio de verba pública montado na Casa. Ele não permitiu que a entrevista fosse gravada.

No escritório de seu supermercado em Rio Largo (região metropolitana de Maceió), o ex-deputado disse que só quer cuidar dos negócios e criar os filhos. Ele alega que cobrou o dinheiro porque “quebrou” na campanha de 2006, quando não foi reeleito. “Política é para malandro. Não tem espaço para homem de bem”, disse. “Não tem o provérbio: o sábio recusa o poder, e o louco o cobiça? Hoje quero ser mais sábio”.

Ele reclamou de rádios e TVs de Alagoas, que, após a reportagem de domingo passado, passaram a reproduzir o grampo. E negou ter pedido “dinheiro roubado”: “Eu disse: “Quero o meu dinheiro, que é meu, que não é dinheiro de roubo”.

O ex-deputado disse que estava cobrando dinheiro de salários atrasados e verbas de gabinete que ainda lhe eram devidos pela Casa, mesmo após o fim de seu mandato, em 2007.

Em trecho da gravação, no entanto, é possível ouvir Gonçalves dizer: “Eu quero meu dinheiro. E não venha com desconto do INSS, não, porque isso é dinheiro roubado”.

Sobre a menção ao INSS, sua explicação é que a Assembléia tentou enganá-lo e descontou alíquota maior do que a devida.

Gonçalves foi indiciado pela PF em dezembro de 2007 no inquérito que investiga o desvio de R$ 280 milhões em verbas da Assembléia e da União.

O ex-deputado, porém, não abandonou certos vícios típicos de políticos: cumprimenta todos que passam pelo supermercado e não esconde a vaidade ao ser questionado na rua se será candidato à Prefeitura de Rio Largo. “Ainda estou decidindo”, responde, sorrindo.

Segundo ele, sua base eleitoral são os pobres de Rio Largo. “Comecei [na política] ajudando o povo. Distribuo peixe. Se morre um, eu enterro. Dou ambulância para levar doentes.”

Ao se candidatar à reeleição em 2006, Gonçalves ficou apenas com a quinta suplência.

Mas, com o pedido de afastamento – feito pelo Ministério Público do Estado na sexta – dos 11 deputados indiciados por suspeita de participação no esquema, Gonçalves acredita que pode assumir uma cadeira. “Pode ser até que eu volte...”

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