Senador garante que Chávez investe US$ 7 bi em armamentos
O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) subiu ontem à tribuna do Senado para fazer um duro discurso contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ameaça aplicar a força militar para contornar a crise diplomática entre Colômbia e Equador. Sarney disse que Chávez tem o objetivo de “desestabilizar o continente” ao reunir aparato bélico suficiente para provocar um incidente na América do Sul.
“Nós somos um continente pacífico. Que necessidade tem um país do nosso continente de armar-se dessa maneira? Contra quem? Para quem? O objetivo, realmente não podemos dizer que ele não seja outro senão uma ameaça à estabilidade do nosso continente. De tal modo que a primeira reação da Venezuela, no incidente que acaba de haver na fronteira da Colômbia com o Equador, não é de negociar”, disse.
Sarney fez um apelo para que o Brasil, com a tradição diplomática da negociação, trabalhe para evitar um conflito bélico no continente. “Temos de nos unir e mostrar que não admitimos a existência desse sentimento dentro do continente. E o Brasil, com a tradição pacífica que tem, ao longo da sua história, não pode deixar de ser uma pedra fundamental, um pilar mestre na defesa desse objetivo”, afirmou.
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), defendeu a intervenção de um organismo internacional, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), para intermediar a crise. “O Brasil deveria, sim, na minha opinião tomar iniciativas apaziguadoras, mas se guarnecendo com a convocação de um organismo internacional impessoal que pudesse estabelecer a eliminação da cizânia entre países”, defendeu.
Sarney, porém, disse ser contrário à intervenção da OEA no conflito. “Essa responsabilidade é do continente sul-americano. E o Brasil, como um país líder dessa área, deve comandar uma ação diplomática imediata de maneira que isso não se generalize porque o perigo não é um incidente na fronteira. É a generalização do conflito com o envolvimento de três países.”
Neutralidade – Parlamentares da oposição defenderam nesta segunda-feira uma postura neutra do governo brasileiro para ajudar a solucionar a crise entre Equador, Colômbia e Venezuela. “Eu creio que a tentativa de encontrar uma solução negociada é responsável. Mas qualquer solidariedade ao presidente Chávez seria um desastre. Ele é um barril de pólvora em permanente ameaça de explosão”, avaliou o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).
Já o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que o Brasil deve exercer seu papel de liderança para evitar que a crise traga impactos maiores à região. “Eu acho que a mediação é necessária e tem que ser consentida. A atitude do Brasil de buscar a mediação, ao lado de outros países, é medida eficaz”, disse.
Na opinião do deputado, o Brasil deve manter-se neutro no episódio porque atua como mediador do conflito. “Ninguém media tornando pública a sua posição. É necessário saber como as coisas aconteceram.”
Chávez investe US$ 7 bi em armamentos, diz Sarney
O senador José Sarney disse, ontem, em discurso no Congresso Nacional, que entre aquisições e encomendas, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, já investiu US$ 7,1 bilhões em equipamentos bélicos.
Até o Brasil freqüenta a lista de fornecedores de armas de Chávez. Vendeu-lhe, segundo Sarney, um lote de pistolas 9 mm. De resto, o líder da auto-proclamada Revolução Bolivariana serve-se de radares de defesa aérea da China; veículos de transporte de tropas, helicópteros de ataque, rifles, caças, radares e submarinos da Rússia. Os russos estariam também modernizando caças adquiridos por Chávez no Irã.
Como evidência de suas preocupações, Sarney recorre ao conflito entre Colômbia e Equador, iniciado no final de semana. “A primeira reação de Chavéz ao incidente não foi a de negociar uma solução pacífica”, lamenta o ex-presidente brasileiro. “Chávez disse: vamos mandar divisões blindadas para fronteira. Outro dia, ela já havia declarado que, se houvesse algum problema na Bolívia, mandaria tropas para lá. Temos que nos unir contra isso.”
Sarney lembra que, quando presidiu o Brasil, foi surpreendido pela presença de “uma coluna de guerrilheiros das Farc no Norte do Brasil”. Deu-se no primeiro mês de sua gestão. Determinou que fossem expulsos. “Mandamos o Brasil dar um sinal de que jamais admitiria que seu território fosse transformado em santuário de qualquer aventura que se desenrolasse em países do Continente.” Desde então, diz Sarney, nenhum presidente brasileiro, nem mesmo Lula, “permitiu que o Brasil servisse de abrigo para guerrilheiros ou rescaldo de lutas internas de outros países”.