PALAVRA DE ESPECIALISTA
Manoel Rubim da Silva
Auditor Fiscal da Receita Federal – Professor do Decca-Ufma
email: manoel_rubim@uol.com.br
O Brasil é um país realmente fantástico, alguns diriam que esse caráter fantástico seria decorrente de uma certa “esquizofrenia catatônica” que se constituiria em uma “forma de esquizofrenia que apresenta uma alternância entre períodos de passividade e de negativismo e períodos de súbita excitação”. Vejam vocês que cunhamos, até mesmo, um epíteto para designar as décadas de oitenta, noventa e início dos anos dois mil: “décadas perdidas”. Para o nosso crescimento, teríamos que proceder as reformas tributária, trabalhista, previdenciária e o “escambau”. De repente, após avaliações entusiásticas e outras nem tanto, ao longo de 2007, nos surpreendemos, em março de 2008, com a notícia originária do IBGE, de que o PIB do Brasil teria crescido, em 2007, 5.4%.
Os eternos críticos, que nada constroem, já enfatizaram que tudo bem: o PIB deste país cresceu 5.4%, porém os demais países que integram o “BRINC” tiveram crescimento muito maior. A Rússia, no mesmo ano, teria crescido 8,1%, a Índia 8,4% e a China 11,4%. Ora, novamente estamos a comparar situações sociais, econômicas díspares, sem as devidas prévias análises. Porém, esse não é o nosso objetivo, neste escrito. Estamos sim preocupados em face de que, nem bem comemoramos o expressivo crescimento da economia no ano de 2007, e já estamos manifestando nossa inquietude com os gargalos que nos fazem temer pela volta da inflação, pela falta de algumas condicionantes que não ensejariam um crescimento sustentável deste país.
Moral da história: passamos duas décadas e meia lamentando a falta de crescimento, atribuindo mil motivos para tal situação, e quando o crescimento chega, não estamos preparados para crescermos. Seria isso mesmo? Teríamos que aumentar os juros, para desestimular o consumo? Teríamos que reduzir os prazos de financiamentos para compra de novos veículos, pois, a indústria automobilística não estaria dando conta da demanda, podendo acontecer aumento de preços e cobranças de ágio? Afinal: “Hoje, nas ruas paulistanas, seis milhões de carros brigam por espaço nos 15 000 quilômetros de vias asfaltadas.” Situação essa agravada pelo ingresso diário de 800 novos veículos.
O Economista Fernando de Holanda Barbosa, Professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da FGV, no artigo intitulado de “Crescimento, crise e transição da economia”, destaca que a história da economia deste país, nos anos sessenta, poderia ser dividida em três momentos:. de 1947 a 1979, época do crescimento econômico e do modelo de substituição de importações, com crescimento médio do PIB da ordem de 7.4%, com taxa de inflação de 28,5% ao ano; entre 1979 a 2004, caracterizado pela crise fiscal do estado, com duas fases distintas, de 1979 a 1994, com hiperinflação de 460,3% ao ano, com crescimento do PIB da ordem de 2,4%, na média anual e no período de 1994 a 2004, com a extinção da hiperinflação, via Plano Real, que nos fez ter uma inflação anual de 2,5%, com a economia crescendo apenas 2,5%; o novo ciclo teria sido iniciado em 2004, com o PIB crescendo a uma taxa anual média de 3,7% e uma inflação de 3,9% ao ano. O economista rotula ainda que o “terceiro período, iniciado em 2004, é de um novo tempo de crescimento sustentado, uma obra inacabada, com linhas mestras já bem definidas, com contornos que serão desenhados ao longo do caminho”.
Não irei entrar em consideração sobre o conceito de PIB Potencial que seria o PIB atingível sem provocar o tão temido efeito inflacionário e outros gargalos, como crises de energia, escoamentos de produção por estradas, portos, equipamentos etc, pois temos o Plano de Aceleração de Crescimento (PAC), que a médio prazo poderá contornar tais problemas. Também, não me preocuparia com os investimentos necessários para sustentar o crescimento, pois, segundo os dados estatísticos confiáveis, a Formação Bruta de Capital estaria aí na faixa dos 16% no último trimestre de 2007, quase três vezes maior do que a taxa de crescimento do PIB em 2007. Pelo que expressa o “Relatório de Inflação” do Banco Central do Brasil, de março corrente, também, haveria “otimismo dos empresários registrado em distintas sondagens conjunturais” Resta, portanto, investir mais em educação, pois não existe desenvolvimento sustentável, sem investimento em educação, e aumentar a capacidade de produção instalada dos diversos setores, sem descuidar da “Boa Governança das Empresas e dos Órgãos Públicos.