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SOY LOCO POR TI AMÉRICA!

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Data de Publicação: 31 de março de 2008
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Joãozinho Ribeiro

Asemana encerrou com um saldo no noticiário local e nacional merecedor de uma garimpagem mais sincera com relação à relevância dos fatos que tiveram o Maranhão como cenário. Como já havia destacado na coluna passada, sem concorrência seria a passagem do presidente Hugo Chávez pelo solo maranhense, fruto de oportuno convite do Governador Jackson Lago.

A dimensão do histórico episódio, nem por conta de matérias de setores contrariados da imprensa, pôde ser empanada, pois se tratava de um chefe de estado de grande visibilidade mundial, sem demérito dos demais, que escolhera justamente o Maranhão como objeto de bem vindas parcerias nas áreas da saúde, educação, meio ambiente, agricultura etc.

De minha memória, somente a figura do Papa emerge como a de outro chefe de estado (no caso, o Vaticano) que já tenha pisado em nosso solo em missão oficial. Nesse caso, por menor motivação ou resultados colhidos, comparar a visita do Presidente Hugo Chávez a um fiasco ou mera politicagem é sinônimo de redenção a um viés jornalístico eivado de um anacrônico primarismo.

Confesso que vivi, repetindo o Neruda, pois lá estava integrando o contingente de representantes do Governo do Maranhão, sem exagerados deslumbramentos, porém entendendo o significado histórico daquela visita de um chefe de estado do porte do presidente venezuelano ao Governador do Estado do Maranhão. Principalmente, num momento em que a popularidade do Presidente Lula, que igualmente se encontrara com o Presidente Hugo Chávez neste mesmo dia, atingira índices positivos insuperáveis nos últimos tempos, e toda uma pauta de parcerias nas áreas econômica, social e política ganhavam o noticiário nacional e do mundo.

Acho que até mesmo os adversários do nosso governo devem ter reconhecido a magnitude do fato, ainda que sujeito a contestação, visões distorcidas e versões desencontradas, o certo é que os protocolos assinados naquela tarde adquiriram uma inusitada expressão simbólica, baseados numa construção coletiva do sonho que se sonha junto. Esta foi a expressão cunhada pelo próprio Presidente da Venezuela para expressar a solidariedade que deve existir entre os povos sul-americanos.

E por falar em contestação, nada mais ridículo do que as imagens de supostas lideranças estudantis secundaristas, num simulacro de protesto muito mal ensaiado na pista do aeroporto Cunha Machado. Heroísmo digno de melhores causas, arranhando o uso da liberdade de expressão duramente conquistada no país pela minha geração e outras, que honraram as bandeiras de luta do movimento estudantil; algumas com a própria vida, como é o caso do estudante paraense, Édson Luís, assassinado no Restaurante Calabouço, na cidade do Rio de Janeiro, exatamente no dia 28 de março de 1968.

Provavelmente os protagonistas das cenas ridículas do aeroporto sequer tenham consciência de quem se trata; todos já passados da casa dos vinte, há muito não devem saber o que é uma sala de aula, embora ainda se intitulem de secundaristas, e nesta condição tenham se tornado verdadeiros profissionais. Triste sina de um movimento que já produziu tantos quadros importantes, que deram inestimáveis contribuições para a vida cultural e política do nosso Estado e do país.

O programa de alfabetização adotado na Venezuela, responsável pela erradicação do analfabetismo naquele país de nuestra América, é hoje objeto de estudos acadêmicos e de adoção em alguns setores sociais de notória representatividade no Brasil, como é o caso do MST, que tem a educação em seus assentamentos como gênero de primeira necessidade.

O pluralismo de práticas e métodos educacionais é uma das fortes balizas do Plano Estadual de Educação do nosso governo, possibilitando o desenvolvimento dos talentos das nossas crianças e da nossa juventude, permitindo aos nossos professores experimentar pedagogias como a do educador Paulo Freire, mundialmente reconhecida e admirada, ou mesmo aquelas que o engenho e arte dos mestres maranhenses serão capazes de desenvolver e disponibilizar para as atuais e futuras gerações.

Ano que vem, 2009, a Greve da Meia Passagem completará 30 anos. Um marco histórico do movimento estudantil maranhense. Este sim, mais do que merecedor de um memorial e do “heroísmo com causa” de estudantes secundaristas e universitários.

Dedico este artigo aos companheiros estudantes que compartilharam comigo os sonhos e a esperança de um país justo e de uma sociedade fraterna e solidária e que não abdicaram de continuar lutando pelas coisas que acreditam. Especialmente a Édson Luís e Martin Luther King, símbolos eternos da luta pela liberdade e pela democracia, que há exatos 40 anos, neste mesmo mês de março, deixaram a estação humana para embarcar no trem da História.

Por eles, continuamos tendo um sonho.

O secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.

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