Recife - Um dos maiores julgamentos da história de Pernambuco terminou na noite de sábado, após cinco dias de trabalhos. As penas somadas chegam a 252 anos de prisão.
Dos quinze réus, 14 - entre eles, cinco policiais militares- foram condenados a 18 anos de prisão, cada um, pela morte de um agricultor e pela tentativa de homicídio a outros 13 trabalhadores rurais, em novembro de 1998, após o confronto durante uma greve de canavieiros em Goiana (80 km de Recife).
O administrador da usina onde aconteceu o confronto, José Soares, foi absolvido. “Pedimos a absolvição porque ficou comprovado que ele não portava arma e no momento do incidente apenas pegava uma carona com os outros réus’’, disse o promotor André Rabelo. O crime - Cerca de 80 trabalhadores ligados a sindicatos rurais faziam passeata até a Usina Santa Teresa para convencer os canavieiros de lá a aderir ao movimento de greve. A manifestação foi contida por um bloqueio formado por seguranças da usina e por policiais militares em duas camionetes, que abriram fogo contra os manifestantes, que estavam munidos com foices e facões.
O agricultor Luiz Carlos da Silva, 27, foi atingido por um tiro na nuca e morreu na hora. Outros 13 ficaram feridos. N0s sete membros do júri acataram, por unanimidade, os pedidos do Ministério Público.
O major da PM Marcelo Renato da Silva, que era capitão na época do crime, e o chefe de segurança da Usina, Sylvio Cláudio Coutinho Frota, foram condenados por terem planejado o bloqueio e fornecido as armas aos demais, que foram condenados por efetuar os disparos.
Os advogados de defesa recorreram da decisão em plenário. Para Moacir Veloso, que defendeu os PMs, a decisão foi “injusta’’, pois os réus estavam defendendo a propriedade privada e os trabalhadores que estavam atuando na usina.