Brasília - Parlamentares do PSDB exigem explicações do governo Lula sobre a denúncia feita pela Folha de S. Paulo a respeito da participação de assessores da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na elaboração de um dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da ex-primeira dama Ruth Cardoso e de ministros da gestão tucana. De acordo o jornal, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, braço-direito da ministra, deu a ordem para que servidores da pasta organizassem o dossiê. “Os fatos são muito graves. Que não se vá arrumar pretexto para impedir uma investigação esclarecedora”, cobrou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Durante pronunciamento feito na manhã de ontem, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), chamou a ministra Dilma de “aloprada” e voltou a pedir a sua convocação na CPMI dos Cartões Corporativos, impedida pela tropa de choque do Planalto na última quarta-feira. Ele também propôs que a oposição exija a intervenção da Polícia Federal para investigar a Casa Civil.
“Estamos diante de um crime e o mínimo que podemos esperar é que a ministra agora se disponha a comparecer à CPMI para esclarecer os fatos que envolvem a construção desse dossiê. Deus permita que a Dilma tenha uma explicação convincente”, cobrou. “Jamais vi um governo com tanto rabo preso neste país”, acrescentou Virgílio.
Segundo o senador, ao negar a existência de um dossiê para a sociedade, Dilma se mostrou uma “tola” que não sabe o que acontece dentro da própria pasta que comanda. “Ela [Dilma] tem que assumir a responsabilidade, pois o documento saiu da Casa Civil”, disse.
O líder do PSDB no Senado também destacou que a oposição não aceitará os argumentos da base governista de que esse dossiê se trata de uma guerra armada pela oposição contra uma suposta candidatura da ministra nas eleições de 2010. A denúncia sepultou de vez a hipótese defendida, por exemplo, pelo deputado Carlos Willian (PTC-MG), que atribuía à oposição o vazamento das despesas do governo FH como uma eventual manobra para desmoralizar o governo.
Virgílio já havia afirmado em nota oficial divulgada no último sábado que o PSDB não se intimidaria com chantagens. “Não temos nada a esconder. Que se abram todas as contas, as deste governo e as da gestão anterior. Tudo às claras. O contribuinte tem o direito de saber o que fazem com o seu dinheiro”, cobrou.
O líder classificou ainda de “farsa” o telefonema dado pela ministra Dilma Rousseff para a ex-primeira dama Ruth Cardoso explicando as primeiras denúncias feitas pela revista Veja.
Para o deputado José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, a denúncia reforça o papel investigativo da CPMI dos Cartões. “A partir deste momento, é fundamental que a base governista da comissão deixe de obstruir os trabalhos como tem feito nos últimos dias. A sociedade brasileira está atenta. É essencial que a comissão possa dar uma satisfação à opinião pública”, avaliou.
Aníbal questionou ainda se a Casa Civil também teria elaborado um banco de dados sobre o presidente Lula e a primeira-dama Marisa Letícia. “Se tiver um dossiê semelhante e o governo divulgar, vamos acreditar que realmente [o governo Lula] está preocupado com a democracia em fornecer essas informações. Agora, se não tiver, temos todo o direito de crer que foi algo mal intencionado”, avaliou.