A repórter policial Fátima Souza, autora do livro-reportagem “PCC-A Facção” - em que revela a formação, desenvolvimento e consolidação do Primeiro Comando da Capital - criou a cooperativa “Jornalistas sem Patrão”, uma espécie de banco de dados, que recebe pedidos de trabalhos e tem arquivadas informações sobre profissionais de imprensa, distribuindo as vagas para o profissional com o melhor perfil.
A idéia surgiu em conversas com outros profissionais sobre as dificuldades enfrentadas nas redações. Analisando a imprensa em geral, Fátima percebeu que muitas pessoas trabalham em áreas que não gostam ou estão desempregadas. “Queremos juntar e distribuir mão-de-obra”, analisa a jornalista.
Os cinegrafistas Nivaldo Lima e Gonçalves são sócios nessa empreitada. Eles pretendem juntar profissionais que trabalham e tem um tempo livre para fazer free-lancers, precisam de mais dinheiro do que recebem, ou estão desempregados. Ela afirma que “os cooperados, em sua maioria, têm experiência de mercado e conhecem bem as necessidades de uma redação”.
Além de vender mão-de-obra, o “Jornalistas sem Patrão” vende material para as redações. Fátima lembra os ataques do PCC em São Paulo: “havia muita matéria para pouca gente. O repórter amador acabou virando um sucesso nas redações. Mas no começo ele ia vender o flagrante, depois começaram a usar para quebrar o galho”.
Esse exemplo mostra um buraco que existe nas redações, explica Fátima. “Com a gente, não precisa mais chamar um amador”. Na última segunda-feira (25), por exemplo, a cooperativa vendeu uma matéria para o programa do Datena, da TV Bandeirantes, sobre um garotinho de 4 anos que viu o avô ser seqüestrado. “Conseguimos entrevistar o menino, e o Datena se interessou por uma história que conta como é uma criança de 4 anos já conhecer a violência em São Paulo”, diz Fátima. “Jornalistas sem Patrão” já conta com 25 cooperados, e para participar, basta ligar para (11) 9988-5325 ou mandar e-mail para fatimasouza.band@superig.com.br