Joãozinho Ribeiro
Era terça-feira, 26 de fevereiro. Inesquecível data em que, acompanhando o Excelentíssimo Governador Jackson Lago, fomos ao encontro daquele patrimônio nacional, símbolo vivo do engenho e arte da nação brasileira. Sem maiores cerimônias, um pouquinho mais das dez da manhã, recebe-nos em seu simpático escritório, localizado na Av. Atlântica, em plena orla da Cidade Maravilhosa. Cumprimenta a todos com um sorriso enigmático nos lábios, senta-se na cadeira cativa, em posição reservada numa mesa de seis lugares (não ocupa a cabeceira), recebe das mãos do Governador do Maranhão a mais alta comenda oferecida a personalidades pelo nosso estado. Agradecido, ainda cisma, com brincalhona modéstia, em repetir que não merece aquela homenagem do povo maranhense. Findo o ritual da entrega de comenda, o Governador oficializa o pedido ao centenário arquiteto de um projeto para a construção do Museu de Arte Contemporânea do Maranhão, a ser erguido no lugar hoje ocupado por um antigo galpão da extinta Rede Ferroviária Federal, ao lado da Praça Maria Aragão. Com admirável lucidez, conversa rapidamente com a sua assessoria técnica sobre espaços e medidas, para, logo em seguida, estipular o prazo de 15 dias para apresentação do esboço de mais uma obra de arte da arquitetura brasileira, que sairá de sua prancheta para integrar o Patrimônio Cultural Maranhense. Encerra-se a manhã e a nossa audiência também; na memória, gravado para sempre, este mágico momento compartilhado com uma das maiores inteligências que o país já produziu – o genial Oscar Niemeyer.
Dia seguinte, ainda no Rio de Janeiro, uma breve visita à Funarte, onde acerto com seu presidente, velho conhecido Celso Frateschi, algumas providenciais parcerias com a SECMA na área da formação artística e na capacitação técnica dos trabalhadores da cultura. À tarde, reúno com dois conterrâneos, apaixonados vianenses, José Antonio e Pedro Mendengo, e confirmo a participação da Secretaria de Estado da Cultura no XII Congresso Histórico-Cultural de Viana e do Meio Ambiente do Rosário de Lagos do Maracu 2008, cujo tema será: “A diversidade do Maracu e suas transformações socioambientais”, de 15 a 19 de julho.
De volta a São Luís, mergulho numa rica discussão, proporcionada pelo II Seminário de Planejamento Interno da SECMA, que mobilizou durante três dias dirigentes e assessores técnicos de todas as casas e órgãos da Secretaria, na Casa de Cultura Josué Montello. No outro dia: presença na abertura do Seminário sobre o Plano Estratégico do Ministério Público do Maranhão, que dedica um importante capítulo ao patrimônio cultural, com foco no “estímulo à implantação de órgãos municipais de cultura e tombamentos nos 20 municípios mais antigos do Estado”.
Nesta mesma manhã, mais um destaque. Desta feita, uma participação no Encontro de Capacitação de Gestores da Juventude, no auditório da CDL. Lá, dividimos uma mesa com o Gerente de Articulação do Minc, Fred Maia, discorrendo sobre Políticas Públicas de Cultura para a Juventude, a convite do Secretário titular da pasta estadual Weverton.
A semana inicia com uma nova bateria de compromissos. Nesta 2ª (03/03), abertura da Oficina de Elaboração de Projetos Culturais, parceria com o Ministério da Cultura/Sesi, no auditório da Fiema (Cohama), dirigida a gestores municipais e agentes culturais da sociedade civil dos municípios, inaugurando nosso Programa de Capacitação e Formação de Gestores, Agentes e Produtores Culturais para 2008.
À tarde, viagem para Brasília, com outras duas agendas na bagagem: 1) Primeira reunião da Comissão Mista do Ano da França no Brasil, com a presença dos Comissariados Francês e Brasileiros, promovida pelos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores; 2) reunião do Fórum Nacional de Dirigentes de Órgãos Estaduais de Cultura.
Neste mesmo período, dias 04 e 05, o Maranhão sedia o Seminário Internacional para Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio Itapecuru. A Secretaria de Estado da Cultura fará a apresentação de um projeto de mapeamento cultural, integrante do Programa Maranhão Mais Cultura, voltado para as 152 comunidades quilombolas existentes na região.
Promovido pelo Governo do Estado, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o evento contará com a presença de representantes do Banco Mundial, Unicef, Pnud, FAO, Unifem, Agência de Cooperação Japonesa, embaixada de Israel, Agências da Espanha, França e Itália e Organização dos Estados Ibero-Americanos, sociedade civil organizada, além de outros representantes de instituições nacionais e do Maranhão.
Na quinta (06/03), novamente em solo ludovicense, importantíssima reunião na Aliança Francesa (Casa França-Maranhão) com a Sra. Anne Louyot, do Ministério de Relações Exteriores – Culture France, Comissária Geral do Ano da França no Brasil. Ações diversificadas para um ano que se anuncia bastante promissor para as nossas maranhensidades. Que o diga o compositor Papete que nos brindou neste último sábado, no Teatro João do Vale, com um espetáculo musical irretocável, Tambor de Mina, patrocinado pela Caixa Econômica Federal. Show que deverá percorrer várias capitais brasileiras, com a alma percussiva e profissional de um dos maiores nomes da música popular do país, encharcada do que há de melhor das nossas maranhensidades – o talento dos nossos músicos e a diversidade das nossas manifestações culturais.
Dessa forma, com trabalho, talento e dedicação, tendo como lema o reencantamento do mundo, a caravana da cultura da paz continuará seu caminho irreversível, deixando para trás os uivos dos desencantados coiotes e as risadas descontentes das hienas.
O secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.