As facções que dominam o PT no Maranhão voltaram a demonstrar que dificilmente o partido marchará unido nas próximas eleições municipais, principalmente em São Luís, onde o diretório municipal tem até sexta-feira para apresentar propostas para coligações em outubro próximo.
As duas propostas são antagônicas. Enquanto a primeira defende a candidatura do ex-presidente do Sindicato dos Bancários, Bira do Pindaré, a prefeito, a segunda defende a idéia de que o partido deverá indicar é o candidato a vice, numa chapa composta por PDT, PSB, ou PC do B.
Os grupos são comandados pelo deputado federal Domingos Dutra, de um lado, e pelo ex-deputado federal Washington Luís e a deputada estadual Helena Heluy, de outro. O curioso é que nenhum dos três assinou os documentos protocolados no diretório defendendo ou rejeitando a candidatura própria.
A proposta que defende uma aliança com os partidos, definidos por eles como do “campo da esquerda”, explica que o PT precisa constituir como meta o seu reingresso na política municipal com a formação de uma chapa competitiva, que busque tirar o partido do isolamento. Entendem que a candidatura própria não possui essa capacidade, e o PT perderá a oportunidade de ser o protagonista adequado ao “maior partido de esquerda do Brasil”.
Já para o grupo liderado pelo deputado federal Domingos Dutra o fortalecimento da legenda só acontecerá com a candidatura própria. Os defensores dessa tendência dizem que pela primeira vez em 28 anos o PT tem a chance de eleger o prefeito de São Luís, a partir dos mais de 500 mil votos para o Senado alcançados por Bira do Pindaré nas últimas eleições. “Foi a maior votação que um petista já obteve no Maranhão. Nas últimas eleições, apenas duas pessoas tiveram mais votos do que Bira em São Luís: Lula, atual presidente da República, e Jackson, atual governador do estado. Mesmo sem estrutura material ou financeira de campanha, sua votação foi superior à de três ex-governadores: Cafeteira, Roseana e Castelo”, diz o documento protocolado na sexta-feira no Diretório Municipal.
O documento ainda afirma que o PT “não está à venda”, e que o tempo de televisão do partido “não é moeda de troca”. Alertam que o PT deve preparar-se para disputar de igual para igual com os outros partidos, que segundo o grupo, almejam apenas ter o partido do presidente Lula como “muleta”.
A decisão final sairá até o dia 20 de abril, quando deve acontecer o encontro municipal para discutir e votar as duas propostas apresentadas. Se dependesse do diretório municipal, venceria a tese da aliança com outros partidos, com o PT na vaga de vice, posto que já ocupou na desastrada passagem de Domingos Dutra como vice-prefeito eleito na chapa com o hoje governador do estado, Jackson Lago. Dos doze membros do diretório municipal, oito apóiam a tese da vice-candidatura.