O Ministério Público de Goiás entrou com denúncia contra empresária Sílvia Calabresi Lima, 41, sua empregada doméstica e integrantes da família, acusados de torturar uma menina de 12 anos e de submetê-la a atos de extrema crueldade. Além da empresária, foram denunciados pelo promotor, o marido e o filho de Sílvia, Marco Antônio Calabresi Lima e Thiago Calabresi Lima; a empregada doméstica Vanice Maria Novais e a mãe biológica da menina torturada, Joana D’Arc da Silva.
Na denúncia, consta que Sílvia, há aproximadamente dois anos, fez uma proposta para a mãe biológica da vítima para que ela permitisse que sua filha, viesse morar e trabalhar em sua casa, propondo-lhe, em troca, o pagamento em dinheiro, além da promessa de dar estudos, bicicleta e carro.

Após fazer o acordo com a mãe da garota, Sílvia trouxe a menina para sua casa e permitiu no início que ela trabalhasse e também freqüentasse o Colégio Militar, conforme foi apontado no inquérito policial.
Após alguns dias, segundo a denúncia, a acusada passou a submeter a garota a maus-tratos e espancamentos. Os atos consistiam em surras com “tamancadas” na cabeça, “marteladas” nas solas dos pés, tapas e socos, batendo também a cabeça da menina diversas vezes contra a parede, lhe causando lesões. A vítima passou, então, a ter hematomas, os quais eram sempre justificados por Sílvia a terceiros e aos familiares da vítima como sendo tombos e quedas.
Com o passar do tempo, segundo o Ministério Público, os maus-tratos aumentaram e Silvia passou a impedir o acesso da vítima à escola, para que a garota não a delatasse e fosse vista com as lesões. A acusada chegou a ameaçar a menina de morte, para que ela não contasse a ninguém, proibindo-a de sair do apartamento, e de visitar seus parentes, segundo a denúncia.
De acordo com a Promotoria, com o passar do tempo, Sílvia deu início a várias sessões de tortura, física e psicológica contra a vítima, sempre auxiliada por Vanice.
A Promotoria ainda considerou que Sílvia submeteu a maus-tratos entre 2004 e 2005 outras quatro adolescentes com surras, espancamento, trabalho forçado e ameaças de morte.
O inquérito policial afirma, segundo a Promotoria, que o marido de Silvia e seu filho, que moram no mesmo endereço, tinham pleno conhecimento da tortura e não tomaram nenhuma providência para fazer cessar a barbárie, aliás, menosprezaram a situação e se tornaram coniventes.
Sílvia e Vanice foram denunciadas por tortura, maus-tratos e cárcere privado. Por omissão à tortura, Marco Antônio e Thiago foram denunciados. Joana, por entregar a filha a um terceiro, mediante pagamento. O promotor pediu ainda que a menina torturada, o pai da vítima e o policial condutor do flagrante, sejam ouvidos no processo.