A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse ontem que o banco de dados elaborado pelo governo sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e de sua mulher, Ruth Cardoso, é “20 mil vezes maior” do que um dossiê. Dilma admitiu que a Casa Civil reuniu informações sobre as despesas com cartões corporativos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de FHC para fornecer ao TCU (Tribunal de Contas da União) e à CPI dos Cartões – caso a comissão solicite. Porém, a ministra negou que seja um dossiê.
“Nós afirmamos que é um banco de dados e que a quantidade de informações que tem no banco de dados é 20 mil vezes maior do que um dossiê. E são essas informações que estão sendo armazenadas na Casa Civil. Seja para fornecer para a CPI seja para informar ao TCU”, afirmou a ministra.
Reportagem publicada ontem na Folha revela que a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, braço-direito da ministra, foi responsável pela ordem para elaborar e organizar um dossiê com todas as despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de sua mulher, Ruth, e ministros da gestão tucana.
Dilma admitiu ontem que Erenice é responsável pela parte administrativa da Casa Civil e que ela disse a verdade à reportagem da Folha quando afirmou que se tratava apenas de um “banco de dados”. “É obvio que a parte administrativa da Casa Civil é dirigida pela doutora Erenice. Então, o que a doutora Erenice afirmou na matéria é a mesma coisa que estamos falando desde a [revista] “Veja”: nós fizemos um banco de dados”, afirmou.
O assunto gerou inúmeras reações da oposição ontem no Congresso. O plenário do Senado foi dominado por discursos dos senadores do DEM e PSDB que criticaram duramente a existência do suposto dossiê sob responsabilidade indireta de Dilma Rousseff.
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) chegou a chamar a ministra de “aloprada”, enquanto parlamentares da oposição se articulam para instalar CPI somente no Senado se a comissão mista dos cartões não avançar nas investigações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente José Alencar e o ministro Tarso Genro (Justiça) negaram a existência do suposto dossiê. Pela manhã, Tarso disse que havia apenas uma “sindicância administrativa” destinada a levantar dados sobre gastos com cartões corporativos e contas B. Já Alencar afirmou que as informações eram de “rotina”.
Em Alagoas, Lula afirmou que os partidos de oposição destilam “ódio” e estão incomodados com as pesquisas de opinião que são favoráveis ao seu governo. “Então, está certo. Mas quem diz que tem os dados é a Dilma Rousseff, qual é a explicação para isso?”, reagiu o presidente nacional do DEM.