As furibundas investidas dos sarneysianos contra o bolivariano Hugo Chávez, um presidente um tanto quanto boquiroto, mas que ainda centra suas esperanças no socialismo e na união da América Latina, conforme sonhou Simon Bolívar, pecam pela insensatez e pelo personalismo descarado e mentiroso.
Recife não percebeu a intenção de Hugo Chávez de interferir na política brasileira e, menos ainda, na política do Maranhão. O presidente Lula, muito menos. O que Sarney quis foi ganhar uma importância que não tem. E oxalá os guardiões do genocídio lá da Norte América não estejam por trás dessa denúncia atabalhoada de corrida belicista preparada e estimulada por Hugo Chávez na América Latina. Só Sarney está sabendo disso ou então prepara o terreno para uma intervenção armada dos Estados Unidos na América Latina.
Comparar a visita de Chávez ao Maranhão aos incidentes que envolveram a Colômbia, o Equador e as Farc, é delírio. Corrida armamentista? Que corrida armamentista é essa da qual o presidente do Brasil não tem conhecimento e sobre a qual o Ministério das Relações Exteriores não se manifestou? Esse discurso o que lembra são as desculpas de George Bush (desenvolvimento de um programa de armas de destruição em massa) para invadir o Iraque. Se duvidar, Sarney está defendendo a recolonização do Oriente Médio e – valha-nos Deus! – a colonização definitiva, militar, da América Latina pelos Estados Unidos. Este homem é capaz de qualquer coisa pelo poder.
Absurdo dos absurdos, Sarney tem a coragem de dizer em seu jornal que reinstalou a democracia no Brasil na segunda metade dos anos 80. Alguém precisa lembrá-lo de que serviu à ditadura militar durante mais de 20 anos e que só se aliou às forças democráticas do país por puro oportunismo, quando o tirânico regime já agonizava. Aliás, no exercício da Presidência, Sarney aparecia em público quase sempre rodeado de militares, nunca de seus ministros.
A fanfarronice de Sarney, esta sim, é de doer. Ele usa o espaço do editorial de seu jornal para se eleger “um dos construtores da estabilidade política na América Latina”. Só se for a estabilidade de Pinochet, de Jorge Rafael Videla, de Garrastazu Médici, Costa e Silva, Fulgêncio Batista, Leopoldo Gualtieri e tantos outros companheiros seus de bem-aventuranças sinistras.
Não nos tomem por tolos arrematados nem queiram fazer bueiro de nossos ouvidos. Já deveriam ter aprendido que a história é implacável. Não venha o senhor Sarney querer posar de paladino da democracia e das liberdades. Nós sabemos perfeitamente onde ele estava quando o estado de direito foi solapado à força de baionetas e fuzis no Brasil.
E se muito ainda temos a recomendar: Ora, Sarney, por que não te calas?