Por Oswaldo Viviani
Presidente da Venezuela em São Luís
O chefe de Estado venezuelano vai defender o projeto junto ao presidente Lula
O presidente da Venezuela Hugo Chávez disse ontem, em São Luís, que vai se empenhar, nos encontros periódicos (trimestrais) que tem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para acertar com o governo brasileiro a construção, no Maranhão, de uma refinaria de petróleo, nos moldes da que será construída em Pernambuco. “Não depende apenas de mim, mas me comprometo a falar com o presidente Lula, que é meu irmão, sobre a viabilização de uma refinaria de petróleo no Maranhão”, afirmou Chávez, em discurso pronunciado do balcão do Palácio dos Leões.
Mais tarde, durante a assinatura do protocolo de intenções para formalizar o intercâmbio entre o Maranhão e a Venezuela nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, agropecuária e comércio, Hugo Chávez fortaleceu sua promessa, afirmando que o governador Jackson Lago e o governo venezuelano já podem começar a trabalhar juntos nos estudos preliminares sobre a implantação da refinaria.
Um gasoduto e uma siderúrgica foram outros projetos que Hugo Chávez disse estar interessado em ajudar a viabilizar no Maranhão.
Atraso e discursos inflamados – O presidente venezuelano chegou a São Luís com quatro horas de atraso em relação ao horário inicialmente previsto para o início da visita. Esperado para as 11h, Chávez só chegou perto das 15h – em meio a um grandioso aparato de segurança, em que não faltaram nem mesmo atiradores de elite da Polícia e do Exército, postados nos prédios próximos ao Palácio dos Leões.


Para seus padrões – ele gosta de discursar horas, como seu ídolo Fidel Castro fazia antes de se incapacitar para o cargo de presidente de Cuba–, Hugo Chávez falou pouco: cerca de uma hora no balcão do Leões e um pouco mais que isso no Salão de Atos, depois de assinar o protocolo de intenções e receber a medalha da Ordem dos Timbiras (a mais importante condecoração maranhense).
No discurso do balcão do Palácio dos Leões, feito de improviso, Chávez elogiou a resistência das centenas de militantes de movimentos sociais que o esperavam – principalmente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Os militantes responderam aos gritos de “Pátria, socialismo ou morte. Venceremos!”.

Orador inflamado, o presidente venezuelano soube agradar sua platéia, com elogios a São Luís: “la isla del amor”, “la Athenas brasileña”. Também não faltaram loas às “compañeras de la lucha”. “As mulheres são muito superiores aos homens”, decretou.
Fiel a seu estilo, de rechear suas falas com citações de ícones da esquerda, da literatura, da poesia, Chávez mencionou ontem nada menos do que oito grandes personagens (alguns deles repetidas vezes): Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, Mao Tsé-Tung, Simon Bolívar (venezuelano, o “libertador da América”), Jose Martí (herói cubano), Jose de San Martin (libertador argentino), Victor Hugo (escritor francês) e Manuel Bandeira (poeta pernambucano).