POR JOSÉ LINHARES JR.
O Serviço de Policiamento Velado da Polícia Militar (PM), responsável pela prisão de centenas de criminosos nos últimos anos, está oficialmente “em férias” por 30 dias. A notícia foi dada na manhã de ontem pelo comandante geral da PM, coronel Antonio Pinheiro Filho, que concedeu entrevista coletiva no Quartel da PM, no Calhau. De acordo com o coronel, a decisão foi tomada após o início de uma investigação preliminar da Corregedoria da Polícia Militar. A investigação trata de supostos atos ilegais promovidos pelos agentes do Serviço Velado. As denúncias que originaram a investigação partiram do Conselho Estadual de Direitos Humanos, da OAB e de familiares de alguns bandidos conhecidos, investigados e presos por mais de uma vez pela PM. O Serviço Velado é formado por policiais militares, que, à paisana, vinham percorrendo São Luís, em busca de criminosos de alta periculosidade. A maioria das incursões do grupo logrou êxito, com a localização e prisão dos acusados.

A entrevista coletiva que anunciou as “férias” dos agentes do policiamento velado contou com a participação da secretária de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal, e da corregedora da PM, Maria das Graças Carvalho de Sousa, além do coronel Pinheiro Filho.
O comandante da PM explicou que a notícia divulgada na terça-feira sobre a desativação do Serviço Velado era falsa. “O Serviço Velado não foi desativado e muito menos está sofrendo algum tipo de punição”, explicou.
Histórico – Antes de falar sobre as denúncias feitas por familiares e formalizadas pela OAB e pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, o coronel fez questão de falar da história do Serviço Velado. “Esta foi uma força criada em 2004 para combater o excesso de assaltos que infestava a cidade de São Luís. Na época, eu era chefe do Policiamento Metropolitano e criei o Serviço Velado para combater assaltos a postos de gasolina, farmácias, ônibus, vans, casas lotéricas, comércios e supermercados. Era uma ação que estava prevista para durar um mês. Obtivemos resultados tão satisfatórios que a sociedade pediu que o Serviço Velado fosse mantido”, disse.
Pinheiro Filho ainda afirmou que em 2006, com a institucionalização da Secretaria de Segurança Cidadã, o Serviço Velado recebeu “férias” parecidas com as atuais. “Somos cautelosos com nossas tarefas. Dessa forma, demos um tempo para a nova secretária analisar o Serviço Velado e dizer se ele estava nos seus planos. Após um mês de férias dos agentes, ela decidiu pela continuidade do trabalho”.
Investigação – De acordo com as denúncias contra os agentes do Serviço Velado, familiares de bandidos foram agredidos junto com os presos. “As denúncias dizem respeito a maus-tratos e tortura no ato de investigações e prisões. Vamos fazer uma investigação preliminar. Caso a denúncia se configure, os culpados serão punidos”, explicou a corregedora Maria das Graças Carvalho. As denúncias contra o Serviço Velado de familiares do assaltante Edilberto Pereira Oliveira, o “Lama”; Welliuson Luís Rodrigues, o “Cerrolim” e Francenildo de Oliveira Carvalho, o “John”. Todos foram presos por formação de quadrilha e identificados por várias pessoas como autores de assaltos, onde agiram com crueldade contra as vítimas. O vigilante Francisco Márcio, 22, contou que foi assaltado por “Lama” e outro comparsa, no dia 22 de fevereiro, ao meio-dia, quando cumpria turno na Escola Mata Roma, na Cidade Operária. “Eles chegaram num carro, desceram e começaram a me empurrar, me chutar e levaram minha arma”, disse Francisco.
Para a secretária Eurídice Vidigal, a paralisação do Serviço Velado não é boa para a população. “Toda vez que funcionários públicos são obrigados a parar, a maior prejudicada é a população. Não se coloca nada para debaixo do tapete na secretaria. Contudo, vale ressaltar que denúncias vazias apenas atrapalham o serviço da corporação”.