NÃO FOI RAIO
Não houve chuva, nem raios, nem trovões.
Mesmo assim, uma forte descarga elétrica teria sido suficiente para danificar aparelhos eletrônicos, arrancar medidores de energia e interruptores das paredes, danificar a rede elétrica das residências e destelhar casas, na Travessa Nossa Senhora da Luz, no Anil. A descarga, que ocorreu no início da tarde de terça-feira, atingiu seis casas e deixou os moradores da rua apavorados. Eles estavam sem energia elétrica até o meio dia de ontem.
A aposentada Maria Priscila Mendes Nascimento, de 81 anos, foi a que mais sofreu com o ocorrido. Moradora da casa de nº 66, ela disse que por pouco não morreu. Sua casa de quatro cômodos, que divide com uma filha e uma neta, ficou parcialmente destruída. O medidor de energia, que fica no corredor sacou da parede, deixando um buraco no local. Os interruptores da sala e da cozinha foram arrancados com a força da descarga. Parte do telhado dos fundos da residência foi destruída. E o único televisor da casa queimou. Maria Priscila acredita que a geladeira, que comprou há apenas seis meses, também tenha sido danificada.

“Não tenho como calcular o prejuízo total porque estou sem energia elétrica em casa. Então, fica difícil saber se mais algum eletrodoméstico foi atingido. O pior é que ganho apenas um salário mínimo e não tenho condições de arcar com essas despesas. A Cemar, por sua vez, já disse que não se responsabiliza por conseqüências de raios. Mas a questão é que não houve raios, nem chuva, nem trovões”, disse a moradora, chorando.
Segundo ela, um técnico da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), teria visitado sua casa, na manhã de ontem, e explicou que se tivesse existido raio, ela estaria morta, pois no momento do estouro do medidor, ela se encontrava a menos de 20 metros do local – distância a que um raio pode atingir.
Mais prejudicados – Outros moradores da Travessa Nossa Senhora da Luz também foram prejudicados. José Fernandes, da casa nº 46, teve a TV e um DVD queimados. Na casa nº 48, Cledson de Abreu mostrou o medidor de energia que foi arrancado pela força da descarga elétrica. O morador da casa nº 2, Fábio Sousa, estava com a TV ligada no momento do estouro. Ele contou que a descarga foi tão violenta, que ficou saindo fumaça da TV, depois que ela queimou.
Na residência do sargento Mikon Levi, o prejuízo foi com a antena parabólica, que também queimou. Na casa do policial federal Luís Vicente, os danos foram ainda maiores. “Acabei de gastar mais de R$ 500 em fiação, pois toda a parte elétrica, do medidor ao poste que fica do lado de fora da rua, danificou. Vou entrar na Justiça contra a Cemar, porque ela não quer se responsabilizar por nada. Para ela, é muito cômodo colocar a culpa em raios e trovões. Mas desta vez, todos os moradores estão de prova de que não houve nada disso”, reclamou Luís Vicente.
De acordo com a Cemar, o problema ocorrido no Anil está sendo avaliado, e a empresa só falará em indenização após o laudo técnico. O número da empresa para reclamações é 0800-286-01496.
(Da Redação)