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Data de Publicação: 27 de março de 2008
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EdsonVidigal

Os urubus agora, amiga, amigo, passeiam não mais a tarde inteira entre os restos mortais dos caranguejos, se inebriando com aquele odor típico, estimulador de fantasias de ceguinhos, as mais criativas.

Amiga, amigo, os urubus agora, já não se contentam com o vôo próprio deles, aquele vôo de águia dos pobres, que pressentindo alguma carniça se amotinam lá em cima, voando lento, quase parados, esperando a hora certa de aterrissarem.

Agora, os urubus não disfarçam que querem mais, muito mais, e querem se atracar nos ares logo com o quê? Imagine amiga, imagine amigo. Com os aviões. Sob a cabeça os aviões, sob os meus pés os chapadões, meu nariz, confusão proposital.

A cidade está um luxo, todo mundo de vermelho, parecendo torcida do Guará, aquele time de futebol de salão que quando jogava na quadra do Cassino não tinha pra ninguém. Luxo nada está é um lixo, senhor, parecendo aquela fada do conto que, de repente, se descobriu feia e largada.

E o sapo que virou príncipe continuou achando que é príncipe mesmo, um botox aqui, um silicone no arrebitado ali, sapatilhas para dar a impressão que está chegando da ginástica, aula de dança, passa, passa gavião, todo mundo passa.

Que gavião, que nada, rapaz. Gavião já era. Agora é periquita. Alguém pediu a carta de vinhos e estava lá, periquita, origem Argentina. Vá entender de periquita assim, ó meu, na peixada do Gago. Olha o urubu, menina, olha o urubu, rapaz.

Se um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, urubu também não faz xixi duas vezes sobre a mesma cabeça. Então companheiro, te cuida. Com certeza, pode fazer, sim, sobre as tuas formosas melenas uma única vez, sim.

“Mire-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas”, lembram delas? Mas como brigaram em torno do mesmo homem, e o engraçado é que nenhuma delas queria ficar com ele. E agora, depois da guerra, como é que dizia o Baleiro? Se um vai perder, outro vai ganhar, é assim a vida, ninguém vai mudar.

Sabia que a gargantilha é de origem espanhola?

Começou com aqueles quadros antigos de pessoas sisudas se escondendo de tudo, até do pescoço e daí aquele rolê enorme de pano branco que com o tempo foi diminuindo, diminuindo, o pescoço aparecendo, aparecendo, até que ficou essa coisa bonitinha que lembra o Djavan quando ele começou a carreira de cantor.

Gargantilha dessa aí, ó meu, nem o Djavan usa mais. Mas para alguns ainda serve como senha. Pulseiras sem relógios em braço de homem, também. E o que dizer do dura lex, sed lex? No cabelo, o que vai? Gumex, rapaz. Será mesmo?

A monarquia por aqui, nessa lixarada, é plural. Tem até urubu-rei. E o que deve fazer um monarca num reino desse? Ora, monarca nenhum, de qualquer espécie do reino animal, seja réptil ou voador, precisa se esbaldar em trabalhar?

Aliás, tem muito monarca por aí que manda entre aspas mais pelo efeito estufa que é capaz de produzir, do que pelo medo que nem é mais capaz de impor, graças a Deus.

Todas as mães já diziam, tem gente que é tão feia, mas tão feia, que se olhar para um espelho, racha o espelho. Diz aí Lindoneia, onde queres chegar? qual o teu negócio, o nome do teu sócio, não, nao vai contar? Olha a CPI.

Aliás, tem sistema por aí que não agüentaria cinco minutos de CPI. Aliás, não agüentaria nem a ementa do requerimento. Meia hora de Polícia Federal, ih, nem pensar!

As pessoas ultimamente parecem um pouco mal humoradas. Saia à rua, preste atenção. Será o trânsito, que não para de congestionar? Serão as chuvas que não param de chamar atenção?

Ah, não é por que já estamos no fim do mês?

Edson Vidigal, ex-presidente do STJ, professor de Direito na Ufma, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.

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