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PSDB desiste de abandonar CPI e cobra explicações sobre dossiê

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Data de Publicação: 26 de março de 2008
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O PSDB desistiu de abandonar a CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos, como chegou a ser anunciado por parlamentares do partido nos últimos dias. A cúpula do PSDB entendeu que, após a divulgação de um suposto dossiê com informações que comprometeriam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no uso dos cartões, a oposição deve ficar presente na comissão para cobrar investigações do governo.

“Depois do dossiê, não podemos em hipótese alguma deixar a CPI. A ministra Dilma Rousseff [Casa Civil] deve vir aqui se explicar sobre o dossiê. Com esse vazamento de informações, zera tudo. É impossível que a base aliada do governo não aprove agora requerimentos de quebra de sigilo”, afirmou.

A oposição havia ameaçado abandonar a CPI depois que governistas adiaram a votação dos requerimentos de quebra de sigilo dos gastos da Presidência da República com cartões corporativos. A base aliada do governo argumenta que os dados sigilosos não podem ser revelados porque colocam em risco a segurança nacional – uma vez que são referentes aos gastos pessoais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PSDB, por sua vez, disse que sairia da CPI caso os sigilos não fossem quebrados. Após a divulgação do suposto dossiê pela revista Veja, no entanto, os tucanos mudaram a estratégia. Agora, reivindicam que a ministra Dilma se explique sobre as informações.

Segundo a revista, a Casa Civil teria preparado um dossiê sobre gastos efetuados nos anos de 1998, 2000 e 2001 pelo então presidente FHC, sua esposa e assessores nas chamadas contas tipo B – usadas para saque em dinheiro em conta administrada pelo servidor.

O documento, de acordo com a revista, seria usado para chantagear parlamentares da oposição, a fim de evitar que as contas do presidente Lula fossem investigadas na CPI dos Cartões Corporativos.

“Queremos deixar claro à população quem não quer apurar os fatos. Vamos buscar as evidências que estão aí. Eu entendo que devemos convocar a ministra Dilma para explicar o dossiê”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Convocações – O comando do PSDB também decidiu endurecer a postura na CPI dos Cartões Corporativos. Daqui para frente, o partido não vai mais aprovar convites para autoridades prestarem depoimentos, a exemplo do que ocorreu na semana passada. A comissão convidou o ministro Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) para depor ontem, mas o ministro adiou a vinda à CPI por estar de férias.

“Eu defendo a tese de que a senadora Marisa tem que convocar hoje o ministro para vir à CPI até quinta-feira. A CPI tem trabalho mais importante à nação que as suas férias”, ironizou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Serrano disse que, após a negativa de Félix, a CPI tem autonomia para expedir convocações às autoridades. Mas negou que, nas primeiras duas semanas de trabalho, a comissão não tenha endurecido as investigações.

“Não pode ser só convite às pessoas. Não houve nenhuma postura na CPI. Acho que já fizemos muito. Amanhã eu coloco em votação a ministra Dilma, já que alguém do governo em que explicar o dossiê.”

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