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Editorial
O Entrudo

O Entrudo

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Data de Publicação: 26 de março de 2008
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O Programa de Aceleração do Crescimento chegou ao Maranhão na esteira dos 230 milhões de reais destinados ao Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do rio Parnaíba, que serão aplicados até 2010 nos estados do Maranhão, Piauí e Ceará.

Trouxe, no entanto, algumas surpresas descartáveis como o discurso do ministro Geddel Vieira Lima de apoio à candidatura de Gastão Vieira e alguns entrudos do grupo Sarney, que foram ao palácio para presenciar a assinatura dos convênios que beneficiam os municípios maranhenses da região do rio Parnaíba com R$ 53 milhões.

O Entrudo foi o primeiro sinal carnavalesco do Brasil, trazido pelos portugueses e que se dividia em entrudo familiar e entrudo popular. Como essa gente de Sarney não consegue se manter muito tempo longe de Governo, ainda mais sentindo cheiro de grana federal, não é de se estranhar a surpreendente presença deles na solenidade de assinatura dos convênios.

Principalmente sabendo-se que na segunda fase mais R$ 44 milhões do PAC vão ser investidos no Maranhão.

Não pensem eles que esse dinheiro se assemelha aos R$ 40 milhões da Usimar, torrados num calçadão, conforme lembrou o ex-governador José Reinaldo Tavares em seu artigo de ontem.

Não faz muitos dias Roseana Sarney e Ricardo Murad falavam de uma suposta aproximação do governador Jackson Lago com o grupo que tão bem representam.

De repente, assumindo a carapaça de ‘Boi de Piranha’, Sarney Filho desfila entre ministros que vêm ao Maranhão cumprir agendas específicas com o Governo do Estado. Como diz o povo, “essa alma quer reza”. Mas como já sugerimos em editorial anterior, que vão rezar nas profundezas.

Para um grupo político que até bem poucos dias classificava o Maranhão de “terra das oportunidades perdidas”, e se esmerava em inculpar o governador Jackson Lago por isso, as insistentes tentativas de aproximação e insinuações na imprensa, como a de que é hora de esquecer as diferenças políticas, cheiram a golpe de Estado.

O que Sarney pretende, estimulando seus pupilos a forçar uma aproximação com o Governo do Estado, ainda não sabemos. Mas não pode ser coisa boa. ‘Entrudos’ como esses, bem representados no carnaval por bonecões que se metiam onde não eram chamados, devem ter respostas para essa repentina aura de civilidade que envolve o grupo Sarney. Talvez possa até explicar esse amor repentino pelo Maranhão que não foi detectado enquanto Roseana foi governadora e muito menos enquanto Sarney foi presidente, conforme também revelou muito à vontade o ex-governador José Reinaldo Tavares.

Ao longo dos tempos o Entrudo (termo que tem origem em ‘introitus’, significando ‘entrada’) sempre foi caracterizado por uma certa permissividade, destacando-se as brincadeiras e a troça dirigida às autoridades, aos costumes e à moral vigente. Também o uso das máscaras permite a crítica e a inversão dos papéis sociais, pois por princípio, “o Entrudo leva tudo”.

Sarney só pode estar troçando das autoridades estaduais, querendo ressuscitar costumes que ferem a moral vigente no atual Governo. Com essa ‘entrada’ intempestiva nos salões do atual Governo, os entrudos estão querendo levar alguma coisa. Ou tudo, como Sarney, afinal, sempre levou do Maranhão. Sabe Deus para onde.

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