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Data de Publicação: 25 de março de 2008
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Grandes centros urbanos administrados por aliados do governo Lula foram os que registraram os melhores índices de incremento dos recursos recebidos do Bolsa Família desde a criação do programa de distribuição direta de dinheiro ao cidadão, no final de 2003.

É o que mostra levantamento feito pela Folha de S. Paulo – com base nas transferências de verba do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) – para os 25 maiores colégios eleitorais do país. PMDB, PSB, PC do B, PDT e PP, além, é claro, do PT, integram a coalizão governista hoje em Brasília.

O levantamento comparou o que as cidades recebiam de recursos quando o programa começou e quanto recebem agora. Em todas houve crescimento, mas em ritmo diferente. As cinco cidades que antes eram administradas pelos partidos de oposição frontal a Lula e passaram a ser geridas por políticos da base aliada registraram incremento de recursos – 46% no total.

Municípios com prefeitos que estavam e seguiram apoiando o governo do presidente Lula também tiveram um salto no dinheiro recebido.

O governo nega critérios eleitorais para a distribuição de recursos. E diz que o dinheiro é repassado diretamente ao beneficiário do programa, por meio de cartão magnético, sem a participação (e, teoricamente, sem bônus político) de prefeituras ou governos estaduais.

Duque de Caxias, administrada pelo PMDB na Baixada Fluminense, Recife, capital de Pernambuco que tem como prefeito João Paulo Silva (PT), e Osasco, cidade petista da Grande SP, ocupam as primeiras posições do ranking.

As três tiveram aumentos nos repasses, em relação a 2004, que superam 200%. Duque de Caxias recebe 262% a mais. Recife, 219%, e Osasco, 212%. Nos 25 maiores colégios, o incremento geral foi de 77,6%. No mesmo período, o programa cresceu 67% em todo o país, saltando de um total de R$ 5,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões (valores acrescidos do custeio da bolsa).

O município fluminense recebeu R$ 30,1 milhões no ano passado, contra R$ 8,3 milhões em 2004, quando a cidade era administrada por Zito Santos (PSDB). Osasco fechou 2007 com R$ 12,8 milhões do Ministério do Desenvolvimento Social. Três anos antes, na gestão de Celso Giglio (PSDB), o total anual ficou em R$ 4,1 milhões.

Em Recife, onde João Paulo Silva se reelegeu em 2004, os repasses do Bolsa Família saltaram de R$ 25,6 milhões naquele ano para R$ 81,8 milhões no ano passado.

Em quinto lugar, está outro município comandado por petistas, Guarulhos (Grande SP), atrás de Campinas (SP), cidade administrada pelo prefeito Dr. Hélio (PDT), aliado do presidente Lula e que deverá ter a candidatura à reeleição apoiada pelo Planalto e pelo PT.

Oposição – Na eleição de 2006, que deu a Lula o segundo mandato, a oposição acusou o governo de ter criado com o Bolsa Família uma fábrica de votos, especialmente na região Nordeste. O levantamento mostra também que o programa, desde o ano passado, está concentrando suas forças nas grandes manchas urbanas de Sul e Sudeste.

Entre as dez primeiras do ranking, apenas a cidade do Rio de Janeiro, no sexto posto, tem à frente um prefeito de oposição ao Planalto, o democrata Cesar Maia. A capital fluminense pulou de R$ 38,2 milhões em 2004 para R$ 90,4 milhões – 136% de elevação.

Em valores nominais, no entanto, o Rio continua atrás de Fortaleza e Salvador. São Paulo, do também democrata Gilberto Kassab e que tem o PSDB na administração, ocupa a 14ª posição – de R$ 93,2 milhões foi para R$ 157,5 milhões, um aumento de 69%.

Em valores nominais, a capital paulista, maior cidade da América do Sul, fica apenas uma posição acima de Fortaleza, administrada pelo PT, que recebeu no ano passado R$ 105,1 milhões – 46% de incremento nos valores.

No início do Bolsa Família, Fortaleza e outras cidades do Nordeste foram escolhidas como uma espécie de pilotos para a implantação do programa. Por conta disso, em 2004 a capital do Ceará recebeu R$ 71,9 milhões, atrás de São Paulo e Salvador em termos nominais.

De lá para cá, no entanto, a cidade de Luizianne Lins (PT) superou Salvador, do recém-filiado ao PMDB João Henrique, aliado do governador Jaques Wagner (PT).

A última posição do ranking é dividida entre Curitiba, do tucano Beto Richa, e Belo Horizonte, do petista Fernando Pimentel. Mas a capital mineira, a exemplo do que ocorreu com Fortaleza, também largou em vantagem em 2004: na quarta posição em valores nominais – R$ 43,8 milhões, à frente até do Rio de Janeiro.

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