POR JOSÉ LINHARES JR.
POLÊMICA DOS MEDIDORES DIGITAIS
Dezenas de pessoas reuniram-se ontem no plenário da Assembléia Legislativa (AL) para escutar as explicações da Companhia Energética do Maranhão (Cemar) sobre os medidores digitais que estão substituindo os analógicos desde o ano passado. Milhares de consumidores reclamam do aumento de tarifas depois da mudança. Durante a audiência pública, manifestantes se revoltaram com dados apresentados pela empresa. “Eles vêm até aqui e mostram números que não refletem a simples realidade: a de que o consumidor está sendo humilhado pela Cemar”, afirmou José Maria Borges, presidente do Conselho de Entidades Sociais do Coroadinho.

Participaram da audiência pública representantes do Ministério Público, Inmetro, Ipemar e Cemar. A audiência foi presidida pelo deputado estadual Fufuca Dantas. Apenas seis deputados compareceram à audiência pública.
Nota ‘visionária’ – O que mais irritou os consumidores presentes à AL foi o fato de que antes mesmo de a audiência ter início, a Cemar já distribuía uma nota em que tratava o evento como se este já tivesse acontecido. “A Cemar demonstrou [na audiência] que os medidores eletrônicos utilizados no Maranhão atendem integralmente a todas as exigências do Inmetro”, afirmava a nota.
Algumas pessoas que acompanharam a audiência revoltaram-se com a “nota visionária”. “Eles tratam o assunto como se fosse uma programação pré-estabelecida por eles. A cada dia fica mais provado o desrespeito da empresa para com os consumidores”, reclamou um usuário.
A Cemar foi representada por seu diretor comercial, Marcelino Machado Neto. Ficou estabelecido um tempo de vinte minutos para a apresentação de Marcelino, mas ele falou por quase uma hora.
Durante sua apresentação, Marcelino traçou um histórico da Cemar, apresentou dados referentes a desperdício na linha e falou da implantação dos medidores. “Eles (medidores) são uma tendência mundial. Todos os países estão optando por essa nova tecnologia. Inclusive, a Cemar recebe energia da Eletronorte, e a medição dessa energia é feita por medidores digitais”, explicou.
De acordo com Marcelino, o Maranhão conta hoje com cerca de 1,5 milhão de unidades consumidoras de energia. No Norte e no Nordeste a empresa ocupa o terceiro lugar em quantidade de perda de energia elétrica, ficando atrás apenas de Alagoas e Piauí. O diretor comercial também revelou dados que apontam medição defeituosa e gambiarras como sendo responsáveis por mais de 55% do desperdício.
O representante do Inmetro, Maurício Evangelista, mostrou dados referentes a uma inspeção de medidores que está sendo realizada em Imperatriz. Os dados do Inmetro comprovam, parcialmente, que os medidores estão dentro dos padrões estabelecidos pelo Inmetro.
A promotora do consumidor, Litia Cavalcante, afirmou que a intenção da audiência, assim como o processo levantado pelo Ministério Público, é esclarecer os aumentos. “Mudanças são naturais, o problema é que está acontecendo uma discrepância muito grande entre o que era cobrado e o que está sendo cobrado atualmente. Além disso, este não parece ser um problema particularizado, pois o número de reclamações no Procon já se aproxima de 2 mil”, disse.
O deputado Edivaldo Holanda fez severas críticas ao tratamento que é dado aos consumidores no ato de troca dos equipamentos que fazem a medição da energia. “Como é que o consumidor pode ter sua energia cortada após saber, em muitos casos, apenas no ato da mudança, deste procedimento? A Cemar deve ter mais respeito com os consumidores, pois a forma como está desencadeando o processo está sendo arbitrária”, comentou.
Edivaldo Holanda afirmou que vai procurar o ministro de Minas e Energia Edson Lobão, assim como o governador Jackson Lago, para sugerir a suspensão da mudança dos medidores até 2009.
“Esta situação de desperdício é caótica, isto é um fato. Contudo, a Cemar tenta passar a imagem de que a culpa é apenas do consumidor. E a história não é bem essa. Até que se esclareça tudo, vou pedir ao governador e ao ministro que suspendam a mudança”, frisou.