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Páscoa pirata

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Data de Publicação: 23 de março de 2008
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Reverendo Luiz Carlos Porto*

“Para ser franco, é a pirataria religiosa mais amadora que já vi, porque não existe nenhum paralelo entre o êxodo libertador e o coelho ovulador”.

A pirataria é uma praga, pois está espalhada em todas as áreas da atividade humana. Existe peça pirata de carro, de avião, de computador... CDs piratas e música pirata. Existem também filhos piratas (que são desmascarados apenas com o teste do DNA). Falsificar o original é um risco. A peça de um avião pode custar muitas vidas. Quando a pirataria é no campo religioso, a situação fica mais grave ainda, pois põe em risco a eternidade do ser humano.

Um exemplo clássico de pirataria religiosa é o natal. O salvador é substituído pelo velho Noel, a adoração é substituída pelo consumismo e a salvação pela ‘babação’ do peru e companhia. É uma pirataria escandalosa.

Hoje, domingo, encerramos a Semana da Páscoa, um período em que a pirataria religiosa invade a mídia, as famílias e as escolas infantis. Nem precisamos ir longe para descobrirmos o mentor dessa bizarra falsificação. O interesse do capital faz de tudo para desvirtuar qualquer manifestação religiosa autêntica. O poder econômico sempre quer levar vantagem em tudo - até na religião.

A Páscoa é uma manifestação religiosa judaico-cristã. Não existe Páscoa desvinculada da história de Israel. O êxodo dos israelitas do Egito para Canaã teve uma participação especial de Javé, o Deus Todo-Poderoso, segundo afirma o Velho Testamento. Num momento fundamental do início do êxodo, foi dito aos judeus que o anjo do Senhor passaria à meia-noite para punir os egípcios e livrar os israelitas. Essa passagem divina que puniu os opressores e livrou os oprimidos foi e é ao longo das gerações comemorada como Páscoa Judaica.

Jesus Cristo veio e disse que Ele era o Cordeiro Pascal, isto é, aquele que foi sacrificado para livrar as pessoas do poder de Satanás. Assim, no cristianismo, se comemora com gratidão a passagem na terra do Deus que se fez homem para propiciar livramento, libertação e liberdade para raça humana, isto é, para aqueles que nEle crêem.

Diante destes fatos históricos e escriturísticos, perguntamos perplexos: O que o coelho e os ovos de chocolate têm a ver com isso? E o pior: onde já se viu um coelho botar ovo? Para ser franco, é a pirataria religiosa mais amadora que já vi, porque não existe nenhum paralelo entre o êxodo libertador e o coelho ovulador.

É profundamente lamentável ver o nosso povo sendo forçado a consumir um produto falsificado e passageiro, em detrimento do original, que tem poder para tirar a nossa alma do cárcere e os nossos sonhos da sarjeta. A festa da Páscoa é um bom momento para ensinar esperança e cidadania para as nossas crianças. Juntamente com a mensagem da salvação existencial podemos ministrar aos nossos filhos a salvação dos nossos ideais mediante a compreensão de que o Deus da história é o Deus que tenciona promover justiça, verdade, solidariedade e compaixão. Sinais da passagem divina em nossa história.

Ao ver alguns pais sendo levados ‘algemados’ por seus filhos em direção aos shoppings, em busca dos ‘preciosos’ ovos, fico pensando na bobagem que é a vida humana e o futuro de uma geração que é induzida a trocar a libertação espiritual, emocional, ideológica e social por um ‘ovo de coelho’. Maldita páscoa consumista, maldita pirataria, bendito salvador Jesus Cristo!

*Vice-governador do Maranhão

Membro da Academia Imperatrizense de Letras

rev_porto@yahoo.com.br

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