POR AURELIO CARVALHO
Especial para o JP
SOLUÇÃO FINAL
Aves proliferam perto do aeroporto, atraídas por vários focos de detritos
“A Legislação Ambiental, por meio do Código Florestal, prevê o abate de animais que estejam colocando em risco a vida da população. No caso dos urubus, é preciso um estudo detalhado da quantidade existente, para saber que percentual deve ser abatido, levando-se em consideração os problemas detectados”. A afirmação é do analista ambiental do Ibama, Walter Cabral de Moura. Segundo ele, apesar de não considerar a melhor medida, admite que o abate de urubus poderia ser realizado, por exemplo, no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, em São Luís. Na última segunda-feira, 17, uma dessas aves foi sugada pela turbina de um avião da TAM, obrigando o piloto a frear a aeronave bruscamente, o que causou pânico nos passageiros.
De acordo com Walter Cabral, o ideal seria acabar com os matadouros, frigoríficos, lixões e os outros focos de detritos próximos ao aeroporto. Mas, segundo Cabral, depois de inúmeras reuniões com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), ele percebeu que não era bem isso o que a empresa queria. “A lei é clara quando diz que em uma área de até 20 km de distância do aeroporto são proibidas atividades como lixões e matadouros. O Ibama propôs, inclusive, o embargo desses pontos irregulares, mas percebeu que a Infraero não se interessou muito pela solução. O que eles querem mesmo é o abate dos urubus. Então, vamos fazer esse estudo, e, se for o caso, realizaremos o abate. Só não podemos agir com irresponsabilidade, e por isso estudamos todas as possíveis soluções”, explicou o analista ambiental.
Perigo – De acordo com o relatório da Infraero, as aves são atraídas pelos açougues clandestinos Frigorífico JB, D.A. Vital, Frigorífico Sousa e Aterro Municipal da Ribeira.
A reportagem do Jornal Pequeno percorreu cada um desses locais, e acabou descobrindo outros possíveis focos de detritos, como um curtume no bairro Tibiri e a fábrica de salsicha Frimasa (antiga sede da Copema). Todos esses pontos estão localizados nas áreas de rotas de aviões.
No Frigorífico JB, o abate de gado é feito todos os dias, segundo informou uma funcionária que preferiu não se identificar. Segundo ela, o sangue dos animais escorre até a avenida e o mau cheiro é quase insuportável.
No D.A. Vital, os animais são mortos na sexta-feira. O proprietário estava viajando e não pôde dar maiores detalhes sobre o funcionamento do local.
No Frigorífico Sousa, ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto. No curtume, o mau cheiro pode ser sentido à distância, devido a pedaços de couro de bois, que ficam espalhados por um pátio sem a menor higiene.
Na fábrica de salsicha, o gerente Carlos de Araújo disse que no local não há abate e que funciona apenas como fabricação de lingüiça calabresa. No entanto, a poucos metros da entrada da fábrica, a reportagem do JP encontrou cabeças de boi espalhadas pelo asfalto. Além disso, do pátio da fábrica, via-se a grande quantidade de urubus no ar.
Infraero – Para o superintendente da Infraero, Demóstenes Costa, o Ibama precisa urgentemente em relação ao problema dos urubus, antes que aconteça algo mais grave. “Já mandamos ofício pedindo a presença de biólogos e analistas ambientais, para que tomem as medidas cabíveis em relação aos urubus. Nossa parte estamos fazendo, que é atirar rojões em direção às aves, para espantá-las, impedindo que fiquem próximas à pista. Fazemos isso sempre que percebemos que uma aeronave vai pousar ou decolar, disse Costa.
Apesar de temer a presença das aves, o superintendente garantiu que não há motivo para pânico. Segundo ele, o urubu, quando entra na turbina do avião, é triturado imediatamente e expelido. “Além disso, é praticamente impossível uma ave como essa conseguir derrubar uma aeronave que pesa cerca de 20 toneladas. Se for um avião de pequeno porte, o risco de cair é maior, daí nossa preocupação constante – mas não se justifica o alarde”.


Em relação ao acidente ocorrido na segunda-feira passada, o superintendente contou que o urubu entrou na turbina quando o avião se preparava para decolar, e foi depenado. Quatro palhetas da turbina foram quebradas e por causa do barulho, os passageiros se assustaram. Segundo Demóstenes Costa, a peça foi trocada imediatamente, e o avião levantou vôo no mesmo dia.
Ao ser indagado sobre as medidas que a Infraero toma em relação à orientação de pilotos, em casos de incidentes deste tipo, o superintendente afirmou que pede que não omitam os problemas, sob nenhuma hipótese. “Existem pilotos que têm a aeronave atingida por urubu e não informam à Infraero, para que possamos fazer as vistorias necessárias. Agindo assim, ele põe em risco a própria vida e a dos passageiros”.
A superintendente do Ibama, Marluze Pastor Santos, disse que recebeu garantiu que irá se empenhar para traçar o mais rápido possível estratégias de combate aos matadouros clandestinos, que atraem os urubus para aeroporto de São Luís. “Acredito que na próxima terça-feira, 25, já teremos um posicionamento”, disse Marluze.
'CHAMARIZES' DE URUBUS NA ÁREA DO AEROPORTO
• Frigorífico JB
• D.A. Vital
• Frigorífico Sousa
• Aterro Municipal da Ribeira
• Curtume do Tibiri
• Fábrica de salsicha Frimasa
Urubu na turbina fez avião abortar decolagem
Na tarde da última segunda-feira, dia 17, o Airbus 320 da TAM se preparava para decolar, no aeroporto de São Luís, com destino a Brasília. Quando o avião estava com as turbinas na potência máxima para levantar vôo, um urubu entrou numa das turbinas da aeronave e foi triturado, obrigando o piloto a abortar a decolagem de maneira brusca.

Quatro palhetas da turbina foram quebradas e, por causa do barulho, os passageiros se assustaram. A peça foi trocada imediatamente, e o avião voou no mesmo dia.
Havia vários políticos maranhenses no vôo que ia para a capital federal – entre eles, o ex-senador João Alberto de Souza (PMDB) e os deputados federais Pedro Fernandes (PTB), Pinto Itamaraty (PSDB), Gastão Vieira (PMDB), Julião Amin (PDT), Waldir Maranhão (PP) e Ribamar Alves (PSB).