Roberto Rocha
A senadora Roseana Sarney fez, no Senado Federal, um inesperado discurso sobre o Maranhão e suas “oportunidades perdidas”. Trata-se de um tema deveras incômodo para ela e, especialmente, para o senhor seu pai, senador José Sarney, protagonista de um dos mais eloqüentes casos de ingratidão para com a terra que o projetou.
No entanto, fazendo de conta que nada tem a ver com a enorme dívida social de que é credora a população maranhense, a senadora fala de uma “magnífica infra-estrutura” que implantou no Maranhão, o que, segundo ela, “estabelece veios potenciais de desenvolvimento, sensíveis a qualquer ensaio de política indutora de geração de emprego e renda”. Que tal?!
O problema é que, por esquecimento ou estratégia, nenhuma intervenção concreta de seu governo foi ali apontada. Para ilustrar o seu discurso, limitou-se a falar do “desembocadouro do Corredor Norte de Exportação, das ferrovias Carajás, Itaqui e da Norte-Sul, esta última ainda em construção, mas com trechos já em operação a partir do Tocantins”. Mais: disse que conseguiu “implantar grandes projetos estruturantes e complementar outros iniciados, graças ao trabalho e à visão de futuro de governantes como José Sarney” e outros. Ou seja: a indústria da falácia.
Contorcionismo à parte, não deixa de ser uma tremenda imprudência a senadora Roseana falar das “oportunidades perdidas” do Maranhão. A não ser uma nova forma de purgar pecados, ao enveredar por esse tema, a senadora finda por se expor a críticas de toda ordem, especialmente quanto ao tempo que o Maranhão perdeu sob o bastão do senhor seu pai e guru, senador José Sarney.
Aliás, sobre o ilustre senador, este espaço é insuficiente para listar suas inúmeras e descumpridas promessas ao povo do Maranhão. Dessa forma, fiquemos somente com a questão da refinaria, episódio bem ilustrativo do modo pouco sério como o poder político foi aqui exercido por quatro décadas.
Havia um acordo entre Brasil e Venezuela para construção de uma refinaria no Nordeste, e, no período eleitoral de 2002, o senador Sarney apareceu na propaganda política na televisão e garantiu que o empreendimento seria implantado no Maranhão. Foi além: com um semblante grave, transparecendo sinceridade, disse que já havia acertado tudo com o presidente Hugo Chávez. Falava ali com a autoridade de um ex-presidente da República. Resultado: ganhou as eleições, nunca mais tocou no assunto, e a refinaria foi para Pernambuco sem que o senador exercesse qualquer empenho. Ficou, como sempre, o dito pelo não dito.
Já no caso da senadora Roseana, a lista não é menos extensa. Igualmente pela falta de espaço, lembraremos aqui apenas as suas três promessas mais emblemáticas: Pólo de Confecções de Rosário, Projeto Salangô e Usimar. Não vamos nos estender em maiores narrativas sobre tais fatos, porquanto já bastante conhecidos dos maranhenses. Além do mais, qualquer alusão a esses assuntos causaria constrangimentos à senadora, o que, sinceramente, não é essa aqui a intenção.
A referência inevitável que aqui fazemos a esses três monumentais imbróglios do governo Roseana é menos pela intenção de espicaçá-la com os fracassos administrativos de seu governo, acredite, e mais por imperiosa necessidade de esclarecermos afinal quais foram as “oportunidades perdidas” em prejuízo dos maranhenses. Como quem cala consente, não podemos ficar em silêncio diante de eventuais empulhações.
Temos tido a preocupação de falar mais sobre o futuro do Maranhão, entregando o sarneisismo à história. Porém, toda vez que tentarem inverter os fatos, não restará alternativa senão irmos à réplica esclarecedora.
O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos. contato@robertorocha.com.br