O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) divulgou nota na qual comenta a decisão da Justiça do Rio de Janeiro que ontem concedeu liminar que proíbe tanto o movimento quanto João Pedro Stédile —um de seus dirigentes— de “incitar e de promover a prática de atos violentos contra as instalações” da Vale.
Na nota, o MST diz que a Vale deveria trabalhar para resolver sociais e ambientais das áreas onde está instalada —Minas Gerais, Maranhão e Pará— em vez de criar obstáculos para realização de “manifestações legítimas que fazem parte da democracia”.
O MST também questiona o fato de a Vale não se preocupar com a decisão da Justiça Federal que, em dezembro de 2005, anulou o leilão que privatizou a mineradora ao acatar um dos 107 processos que tramitam contra a empresa.
“A decisão do Poder Judiciário pode devolver ao povo brasileiro o controle da empresa e impedir que continuem desrespeitando as comunidades com suas atividades”, afirma o MST na nota.
Em nota divulgada anteontem, a Vale informou que tomou a decisão de recorrer à Justiça “diante dos sucessivos ataques que a empresa vem sofrendo pelo MST desde o início do ano passado”. A empresa informa que foram oito invasões desde março de 2007.
Na semana passada, integrantes da Via Campesina ocuparam a ferrovia Vitória-Minas, na altura de Resplendor (MG). Na ocasião, o diretor-executivo de assuntos corporativos e energia da companhia, Tito Martins, disse que a Vale estuda processar representantes nacionais do MST. Como dirigente do MST, Stédile foi notificado anteontem da decisão da Justiça do Rio de Janeiro.