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cidadesAumento de chuvas traz maior incidência de raios no Maranhão

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21 de março de 2008
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POR JOSÉ LINHARES JR.

Desde o dia 12 de março, o norte do Maranhão foi atingido por quase 500 raios. O dado é do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Apenas na última quinta-feira, foram 160 descargas elétricas. São Luís foi uma das cidades mais atingidas. O Maranhão e boa parte da região Nordeste têm se destacado entre as áreas onde mais caem raios no Brasil, país que ocupa o primeiro lugar no ranking que registra o fenômeno. Por ano, são registradas cerca de 50 milhões de descargas elétricas em todo o território nacional.

A meteorologista Rochelle Monteiro Silva, do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão, afirmou que a grande incidência de raios no estado é causada pelo clima chuvoso. “A média de chuvas em 2008 nos meses de janeiro e março é bem superior a do ano passado. Com o aumento das chuvas, temos também o aumento do número de descargas”, explicou.

Foto:REPRODUÇÃO
Os raios matam cada vez mais no país, principalmente no Nordeste

Chuvas – O Laboratório de Meteorologia da Uema já registrou um aumento significativo da quantidade de chuvas nos três primeiros meses de 2007. “Em março de 2007, registramos um média de 274,5 mm de chuva em todo o mês. Até o dia 19 de março deste ano, essa marca já foi 279 mm”, relatou Rochelle.

A proporção nos meses de janeiro foi de 194,5 mm em 2008 contra 28,5 mm em 2007. No mês de fevereiro, os índices se equipararam um pouco: foram 314,5 mm em 2008 contra 388 mm em 2007.

Por meio de estudos, os meteorologistas chegaram à conclusão de que em 2008 o fenômeno conhecido como La Niña, que diminui a temperatura do Atlântico, está sendo uma das principais causas para o aumento das chuvas.

Formação dos raios – A meteorologista Rochelle Silva explicou que as descargas elétricas formam-se nas nuvens cumulus nimbus. “Estudos demonstram que os raios se formam nessas nuvens. Quando elas estão excessivamente carregadas, ocorre uma descarga elétrica, que recebe o nome de raio. A luz que acompanha o raio chama-se o relâmpago. É resultado da ionização do ar. O som produzido pelo forte aquecimento do ar é o trovão”, explicou.

Márcio Eloi, também meteorologista, explicou que o principal determinante para o raio é a geografia do local. “O ponto mais alto é o mais fácil de catalisar as descargas. Logo, se você estiver ao redor de prédios, dificilmente estará suscetível a uma descarga dessa natureza. Contudo, se estiver num campo plano e aberto e colocar-se como o ponto mais alto, a exemplo de um campo de futebol, estará correndo sérios riscos”, explicou.

Os raios são provocados pelo choque de blocos de gelo formados em nuvens entre seis e sete quilômetros de altitude. Oitenta por cento das descargas se diluem nas nuvens e o restante chega a terra, com força entre 20 mil e 30 mil ampères, voltagem suficiente para acender 20 mil ou 30 mil lâmpadas de 100 watts.

VERDADES E MENTIRAS

A sabedoria popular, nem sempre tão sábia, criou uma série de noções falsas sobre os raios que podem levar à tragédia. Conheça algumas delas:

Lenda: Se não estiver chovendo, não caem raios.

Verdade: Os raios podem chegar ao solo a até 15 km de distância do local da chuva.

Lenda: Sapatos com sola de borracha ou os pneus do automóvel evitam que uma pessoa seja atingida por um raio.

Verdade: Solas de borracha ou pneus não protegem contra os raios. No entanto, a carroceria metálica do carro dá uma boa proteção a quem está em seu interior, uma vez que a pessoa não toque nas partes metálicas. Mesmo que um raio atinja o carro é sempre mais seguro dentro dele do que fora.

Lenda: As pessoas ficam carregadas de eletricidade quando são atingidas por um raio, e não devem ser tocadas.

Verdade: As vítimas de raios não “dão choque” e precisam de urgente socorro médico, especialmente reanimação cárdio-respiratória.

Lenda: Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar.

Verdade: Cai sim. Um local pode ser atingido repetidas vezes durante uma tempestade. Uma pessoa também. Entre os casos curiosos, destaca-se o do guarda florestal norte-americano Roy Sullivan, que foi atingido por raios sete vezes durante sua vida. Sofreu apenas pequenas queimaduras, contusões e tombos. Hoje, aposentado, Roy mora numa casa-reboque com um pára-raios em cada canto.

(*) Fonte: INPE

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