A MALDIÇÃO DE ALÁ
Há 2 mil anos, Jesus, divino e profeta, já sabia e amaldiçoava:
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas. Sois sepulcros caiados, formosos por fora e por dentro cheios de ossos mortos e de toda sorte de imundície. Por fora, pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade”.
Muitos séculos depois, o inglês H.G. Wells (1866-1946), sábio e profeta, também sabia e também amaldiçoava:
“Sobre a cabeça de cada um de nós pesa a maldição ancestral de 50 milhões de assassinatos”.
Serão os profetas loucos? Paulo Ronai lembra o francês Boris Vian (1920-1959), poeta, teatrólogo e trompetista, tão jovem profeta do absurdo:
“Os profetas estão sempre errados de terem razão”.
O TROCO
Alá é Deus e Maomé seu profeta. Não sei o prestígio que Bin Laden, Saddam, Arafat, os palestinos, os talibãs, os iraquianos, têm com Alá e Maomé. Mas desde que os Estados Unidos resolveram fazer no século 21 o Holocausto muçulmano, como Hitler fez no século 20 o Holocausto judeu, impensáveis desgraças começaram a cair sobre os americanos.
Tornados, furacões, tufões, inundações, tempestades, enchentes, nunca jamais haviam acontecido nos Estados Unidos com a violência, os estragos, as destruições e as mortes de agora. É a maldição de Alá e Maomé.
É o troco da Palestina, Iraque e Afeganistão invadidos e massacrados.
ESTADOS UNIDOS
Quem poderia imaginar que os bancos americanos, que sempre viveram do dólar pintado sem lastro, da especulação e da espoliação das economias do mundo inteiro, iriam apodrecer tão de repente e escorrerem pelos ralos de Wall Street, obrigando o Tesouro americano a jogar bilhões, trilhões de dólares para tentar impedir outro desastre como o de 1929?
Os próprios americanos, seus escribas e fariseus hipócritas, da imprensa deles e da dos outros, como a nossa, já não entendem nada:
1. “O impensável está se tornando inevitável. O banco Bear Stearns tem uma reputação repugnante, mas o Fed (Banco Central dos Estados Unidos) correu para salvá-lo, temendo um colapso que causaria pânico nos mercados” (Paul Krugmann, do “New York Times”, no “Globo”).
2. “Os bancos correm muitos riscos para fazer muitos lucros. Então é muito justo que sofram um pouco, quando há uma crise” (John Williamson, economista, pai do “Consenso de Washington”, no “Globo).
No Brasil, os porta-vozes (Meirelles, Maílson, Miriam) engasgaram.
É Alá. É Maomé. É a maldição dos profetas. E ainda vem coisa pior.
LULA SENADOR
Em todo esse blá blá blá político antecipando 2010 em 2008, só há uma decisão já tomada, combinada, encomendada, manipulada, acertada:
Lula é candidato a senador por Pernambuco em 2010.
Evidentemente, já está eleito. Com duas vagas, o PT forte no Recife, o prestigiado e popular governador Eduardo Campos comandando a campanha, o “Bolsa Família” cada dia mais “Bolsa Eleição” e o PAC pactuando a troca de milhões da Dilma Roussef por votos, Lula deve sair de Pernambuco com uma votação consagradora. E esperar 2014.
Antes, Lula achava que causaria mais impacto recolher-se ao luxo do novo apartamento de São Bernardo ou à folga do sitio modernizado e, como Getúlio em Itu, dar tempo para o povo sentir saudades dele.
IMUNIDADE
Mas um grande e verdadeiro amigo, já fora do governo, lembrou-lhe o óbvio: o futuro só a Deus pertence. Quatro anos na salmoura é muito tempo. E há reeleição. Ninguém sabe como estará em 2014 o presidente eleito em 2010. E se estourar um novo “mensalão”, com ele sem mandato e sem imunidade? Este 2014 pode virar 2018 ou 2 mil e nunca mais.
Problema de vice e de substituto, para os meses em que terá de antecipar a saída do governo, ele não tem. José Alencar é acima de qualquer suspeita e jamais lhe faria uma desfeita, até por desnecessária. Se a saúde não sustentasse o Alencar (e está tranqüilamente sustentando-o), qualquer que seja o presidente da Câmara em 2010 será um governista.
No Senado, Lula não precisará fazer nada. É a sala de espera ideal.
ACAMPAMENTO
Quando se elegeu prefeito de São Paulo, em 1965, o saudoso brigadeiro Faria Lima disse, no discurso de posse:
“Uma cidade só é uma cidade quando tem mais de 50% de todos os serviços públicos. Se não tem, não é uma cidade. É um acampamento. E São Paulo tem vários de seus serviços públicos que não chegam a 50%.”
O IBGE acaba de constatar, mais uma vez, que o Brasil tem só 51% de tratamento de esgoto e saneamento público. É quase um acampamento.
TANGA E TUNGA
Nos botequins e calçadões do Rio, o carioca zona sul já começou a campanha eleitoral para a Prefeitura. Nos papos, a maioria está convencida de que haverá segundo turno e será entre o “bispo” Crivela e o “cardeal” Gabeira. Chovem slogans, sempre afiados e didáticos:
1. “Gabeira contra o Reino de Deus”.
2. “O sacolé contra o sacolão”.
3. “A tanga contra a tunga”.
CARLA BRUNI
Zózimo, e as eleições na França, hein? A Carla Bruni perdeu.
(www.sebastiaonery.com.br)