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Editorial
E nós não matamos ninguém

E nós não matamos ninguém

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Data de Publicação: 21 de março de 2008
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O presidente Lula afirmou que a atual crise, que afeta o sistema financeiro americano e coloca em polvorosa os mercados mundiais, é trinta vezes mais grave que a iniciada na Ásia em 1997, plena vigência do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula aproveitou, naturalmente, para vender a melhor imagem de seu Governo falando de reservas cambiais que chegam a 200 bilhões de dólares e do fato de que o Brasil não deve mais ao FMI nem a ninguém.

Tanto otimismo, diante de uma crise que se origina na maior economia do mundo, precisa ser colocado com mais parcimônia. As oscilações na Bolsa de Valores de São Paulo, que um dia tem queda superior a 5%, no dia seguinte tem alta superior a 3% e volta a ter queda de mais de 5% no terceiro dia, assusta os analistas econômicos.

O temor de uma recessão que parece inevitável se alastra pelo mundo e as melhores cabeças da economia não acreditam que o Brasil esteja imune aos acontecimentos. Vamos rezar para que não seja assim, mas num mundo globalizado tudo acontece em cascata e é preciso ter muito cuidado para que não sejamos surpreendidos pelos tremores provocados por essa crise.

As crises do petróleo e da Ásia deixaram lições amargas para o Brasil e, como a maioria dos países emergentes, pagamos caro por erros absurdos como esse dos EUA que provocou no Iraque uma guerra que deve custar 4 trilhões de dólares, já produziu cerca de 100 mil cadáveres e não tem qualquer resultado prático. A não ser estes de provocar descrédito no sistema financeiro dos EUA, elevar os gastos públicos desse país à estratosfera e mergulhar o mundo num colapso econômico cujas conseqüências ainda não conseguimos prever com clareza.

Nunca se viu sandice maior que uma guerra e se ela encaminha o mundo para o caos econômico é hora das Nações Unidas darem uma resposta dura à síndrome de Genghis Khan da família Bush.

A reação do povo americano, que responsabiliza a guerra pela descida montanha abaixo do dólar, pela falta de crédito do país e pelas dificuldades no consumo, deve mesmo ser encarada a partir de um provérbio simples: “a voz do povo é a voz de Deus”.

O mundo já deveria ter aprendido que todo extremismo é perigoso. Do extremismo de direita, nem se fala, posto que coloca o poder do Estado e do capital acima dos valores humanos. Pior é que as incertezas provocadas pela sucessão de crimes cometidos pelo EUA no Oriente Médio, acabaram por atingir países emergentes como o Brasil. A “Folha de São Paulo” informou, ontem, que o susto com os problemas no sistema financeiro americano fez com que os investidores estrangeiros tirassem mais de 2,1 bilhões de reais da Bovespa somente no mês de março. Se a crise se mantiver, a saída líquida de investimentos do mercado acionário do país chega a R$ 6 bilhões no ano.

E nós não invadimos país nenhum. Não matamos ninguém em país nenhum. Só George Bush fez isso.

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