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Democratas

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Data de Publicação: 20 de março de 2008
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EdsonVidigal

Na política, quanto no futebol, também na vida em geral, os grupos de ação se formam conforme o grau de experiência e são definidos ou como juvenis ou amadores ou apenas como profissionais.

E é isso que todos querem ser, ou pensam que são, profissionais.

A precocidade de uns serve para formar a categoria especial chamada dente de leite, aquela que tempos depois, constata-se, se mantinha mais por protecionismos, era só promessa, nada de vocação.

Ainda assim, seguem eles ou elas, filhinhas ou filhinhos, querendo ser profissionais em alguma coisa. Muitos até cursam faculdades, colam nas provas, passam. Depois, brincam de empresários, achacam, faturam prestígio, cobram taxa de proteção.

E se as provações da vida lhes impõem mais exigências, mais testes de qualidade, não tem problema, vão ser políticos. E muitos, aprendendo a amealhar algum dinheirinho, ficam na política e por décadas seguidas se dão bem.

Não há novidades, os elencos das novelas sempre em cartaz não variam, ou heróis são amadores ou os violões são profissionais. É que profissional carrega a impressão de ser mais experiente.

É a velha experiência que lhes faz passar aos outros a impressão de que podem andar sobre as águas, atravessar fogueiras sem se queimar, enfrentar temporais de chuvas e não se molhar, meter-se em falcatruas, ninguém saber, e se blindar.

Os mais jovens, muitos dos que se atiram esfogueteados pelas energias dos ideais precoces, nas melhores das intenções, mas sem experiência alguma, se não se deixam manipular por eles, os velhos profissionais da esperança ou do medo, querem logo liderar, mas liderar o que, rapazes e moças, perguntaria o Itamar.

Tem um ramo muito sério, porque brotado da alma humana, em que ninguém é profissional. É o do sentimento em que pele e pelos se misturam, corpos inteiros em entregas recíprocas, e isso tudo é respeitável.

O que leva uma pessoa poderosa como o então Governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, casado e pai de três filhas, a pagar até U$ 80.000 (oitenta mil dólares) pelos afagos de profissionais do sexo, descrito como de luxo? E o que vem a ser isso, de luxo, hein seu Zé?

Os terapeutas estão na duvida, não sabem ainda se essas coisas acontecem por excesso de confiança, arrogância ou se pela necessidade que o poderoso costuma ter de correr grandes riscos, sempre na certeza de que com ele, um profissional, não vai acontecer nada.

Vai sim, no mínimo um vazamento, como o de anos atrás quando um Presidente, já não agüentando mais a solidão do poder, nem a de casa, pediu a alguém muito próximo para lhe montar uma escapulida, no Lago Norte, em Brasília.

Lá para tantas o homem, já despencando em tudo quanto era ibope, perguntou se ela estava gostando do Presidente. A moça sem mascarar surpresa, singelamente retrucou, como é que o senhor quer que eu lhe chame, Presidente? E ele ansioso, apressado, ah me chaama de kiiboom...

E aí nesse quesito, quem foi amador e quem foi profissional?

Edson Vidigal, ex-presidente do STJ, professor de Direito na Ufma, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.

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