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NEY LATORRACA: - 'O PALCO SERÁ SEMPRE MINHA GRANDE PAIXÃO'
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NEY LATORRACA: - 'O PALCO SERÁ SEMPRE MINHA GRANDE PAIXÃO'

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Data de Publicação: 2 de março de 2008
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Alexandra Vidal - EnNews

Ele não passava de um adolescente quando descobriu o endereço de Cacilda Becker e invadiu seu apartamento em São Paulo para pedir-lhe um papel numa peça. Hoje, 22 peças, 19 filmes, 15 novelas e seis minisséries depois, Ney Latorraca enfrenta mais um desafio. Aos 36 anos de carreira e 55 de idade, o ator apresenta, pela primeira vez, um monólogo - "3 x Teatro", em cartaz no Teatro Glória, no Rio. Até chegar ao estrelato, Ney deu duro. Na infância, ele roubou para não passar fome. Na padaria, pegava no chão os tíquetes não destacados para trocá-los por manteiga, pão e café. Paulista de Santos, ele chegou ao Guiness em 1993. Por dois anos consecutivos, "O Mistério de Irma Vap", que protagonizou com Marco Nanini por 11 anos, foi citada no livro como a peça que ficou mais tempo em cartaz no mundo com o mesmo elenco. Nesta entrevista, Ney diz que é hipocondríaco, que ainda quer ter filhos e que gosta de andar nu em casa. Não tem medo da velhice, embora ressalve que a idade o transformou num "kit-fé".

EPN - Dizem quer você fica nervoso antes de entrar no palco...

NEY LATORRACA - Se confiasse plenamente no meu taco, não seria ator. Se alguém tira de letra o trabalho em qualquer profissão, ele passa a não ser um profissional. Sinto como se estivesse entrando num túnel, mas sempre a saída é ótima. Mas meu nervosismo dura dez minutos.

EPN - Depois de três anos você vai voltar à telinha. Esse afastamento é devido a baixa qualidade da programação?

NL - Vou fazer 'O Machão', próxima novela das seis. Não dá para, a essa altura do campeonato, dizermos: 'Ah, isso é cafona'. Lutamos tanto para não termos esse tipo de policiamento. Tem programas jornalísticos, filmes ótimos, programas humorísticos que eu amo. 'Zorra Total', 'Toma lá da cá' o 'Casseta & Planeta', o Jô, a Marília Gabriela. Eu gosto de ver pegadinha, de ver aquela gente escorregando. E vejo muita novela também.

EPN - Recentemente um autor de novela disse que você recusou o papel de galã em uma novela...

NL - Acho que sou interessante. Tenho uma voz agradável, um nariz bonito, já fui uma pessoa até bem bonitinha, mas agora sou um senhor que dá para quebrar o galho. Tem gente que gosta. Cláudia Raia e Irene Ravache sempre me citam entre os mais sedutores.

EPN - É verdade que há tempos você não tem um relacionamento amoroso?

NL - Agora estou apaixonado pelo palco. Me apaixonei pelos autores. Pena que eles não estão vivos. Essa sempre será minha grande paixão. Será a primeira, segunda, terceira, quarta. É o palco, onde eu sinto prazer total. É uma grande transa.

EPN - Você tem vontade de ter filhos?

NL - Sem parar. Chaplin não teve? Picasso não teve? Não foram pais depois dos 80? Ainda pode vir um latorraquinha por aí. Seria ótimo. Candidatas não faltam. Sou um excelente partido. Quando tiver um, coitadinha dessa criança. Vou ficar o dia inteiro olhando pra ela. Se tivesse uma menina, já estaria com sapatilha, laço. O garoto, com esse negócio de lutar boxe.

EPN - Quando criança, você chegou a passar fome e roubou para comer. O que ficou dessa experiência?

NL - Talvez tenha sido isso que tenha feito de mim um vitorioso, uma pessoa que dá valor às coisas. Como é bom convidar os amigos para jantar. Não tive brinquedos. Inventava meus brinquedos. Mas tínhamos muito humor. Nós três (o pai, a mãe e ele) formávamos uma espécie de exército de Brancaleone. Não tinha uniforme. Calçava 30 e minha mãe comprava sapatos 40 para durar mais tempo.

EPN - Sua biografia conta que a Inês Galvão foi a paixão da sua vida.

NL - Foi a mulher que mais me completou, foi a mais generosa. Ela sabe que a hora que precisar de mim, sempre estarei com ela, até o fim. Acho que esse tipo de amor não acaba.

EPN - E a Christiane Torloni?

NL - Fui o primeiro namorado dela. Dei um urso daqueles grandes pra ela. Na semana seguinte, ela já estava namorando o Dênis (Carvalho).

EPN - Você disse que já teve relações homossexuais, mas nenhuma marcante. É mais fácil se relacionar com as mulheres?

NL - É, porque é o meu processo natural. Foi um momento da minha vida que passou. Às vezes a sexualidade de uma pessoa muda. De repente, uma mulher casada com filhos pode se apaixonar por outra. Que mal há nisso? Não podemos ter preconceito. A partir do momento que um artista tiver preconceito, ele não é mais um artista. Ele virou um olheiro, um crítico.

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