Opinião
Por Ribamar Soares*
“Uma ave no céu, uma ave no chão.
... é uma fonte...é um pedaço de pão.
... é a promessa de vida no teu coração”.
(Tom Jobim)
A população ribeirinha que vive às margens do rio Itapecuru e os moradores de São Luís – beneficiados com o Sistema Italuís, que abastece 50% da capital, começam o mês de março em clima de expectativas e esperanças. Vai acontecer na capital maranhense de 4 a 5 de março, no Pestana São Luís Hotel, um seminário internacional para definir acordos de cooperação técnica internacional destinados à revitalização da bacia hidrográfica do rio Itapecuru.
O governo do estado, ambientalistas e representantes da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores vão definir novas ações para recuperar um dos nossos mais importantes rios. O Itapecuru nasce no sul do estado e desemboca na baía de São José, no Golfão Maranhense. São 1.500 km de extensão, histórias e agonias. Em vez de interagir com o rio, os homens tentaram dominá-lo.
Até o início do século passado, o rio Itapecuru tinha uma importância estratégica para a logística da produção agrícola do Maranhão. Por suas águas eram transportados a riqueza da região. Hoje, o rio vive dias de assoreamentos, a ecoar martírios, lágrimas e açoites. O grito da população foi ouvido pelas autoridades. Tenho orgulho de afirmar que agora é a vez do rio Itapecuru no governo do Maranhão.
União de forças pela natureza – Outra boa notícia. A Agência Brasileira de Cooperação vai ajudar o Maranhão a encontrar soluções de cooperação técnica internacional. Um anúncio feito aos olhos dos representantes do Banco Mundial, Unicef, FAO, Agência Internacional de Cooperação Japonesa, Agência Alemã de Cooperação Técnica, embaixada de Israel, Agências Espanha, França e Itália e Organização dos Estados Ibero-Americanos.
A participação de dirigentes e técnicos das secretarias de Estado, Ufma, Uema, organizações não-governamentais e agentes de movimentos sociais vem sendo fundamental para a elaboração do programa de revitalização do rio Itapecuru. Vale ressaltar ainda que, para a formulação do documento, foi criado o Grupo de Trabalho da Cooperação Internacional da Secretaria Estadual de Planejamento.
A preocupação das autoridades e ambientalistas soma-se a esperança dos pescadores que ainda conseguem tirar do rio Itapecuru o sustento de suas famílias. Abençoado por Deus e bonito por natureza, os piscosos rios do Maranhão são importantíssimos para que a fome e a falta de proteína não agravasse os problemas de saúde da população maranhense que viviam no atraso e abandono há 40 anos.
A revitalização da bacia hidrográfica do rio Itapecuru também é pauta para a Conferência Nacional do Meio Ambiente, que vai acontecer no período de 7 a 11 de maio de 2008, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. É motivador ver a Assembléia Legislativa, o governo do estado, ambientalistas e autoridades brasileiras e estrangeiras trabalhando juntos para salvar o nosso rio Itapecuru.
*Advogado e assessor especial da Seplan