Opinião
Jersan Araújo
A foto de primeira página publicada na última sexta-feira pelo JP, onde Sarney aparece cabisbaixo, ao lado de Renan Calheiros – parceiros e aliados nas horas mais difíceis – mostra um homem vencido pelo tempo, desanimado e, quem sabe decepcionado com os reveses de uma vida à disposição do bem e do mal, mas, sempre de acordo com as suas conveniências. Estão sentindo que lhe faltam forças para enfrentar as tempestades que se anunciam. O filho Fernando envolvido em falcatruas, a filha senadora impotente política e intelectualmente para substituí-lo na defesa do que conquistou. O deputado, também, filho usa o PV para recuperar prestígio, mas percebe que essa estratégia não funciona. Resta voltar aos “terreiros” e invocar os orixás para ajudá-lo...
Sarney bem que tentou “ganhar” o PT como o fez com o PMDB. Mas, lá a resistência foi maior e ele não conseguiu impor a sua vontade. Conseguiu por alguns momentos a simpatia do presidente Lula que, alertado pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, começa a não levar em consideração as sugestões e tampouco as indicações do cacique maranhense que agora só canta de galo nos terreiros amapaenses. Com aquela desfaçatez que lhe é característica, Sarney nega que esteja pedindo cargos no governo para os seus protegidos. É a forma de, ao não “emplacar” nenhum nome de sua preferência nas estatais do setor elétrico, sair ileso da luta.
Parece que o jogo de Sarney não passou por reciclagem e inovações. A técnica não evoluiu e todo mundo passou a conhecê-lo profundamente e desenvolver contra ataques fatais. O cacique sente-se cansado. Não faz mais gool de placa e, talvez por isso, minimizado pela exigente torcida, está pedindo para sair. O suposto pedido de licença, também, não deixa de ser uma jogada. Gostaria, com certeza, se Lula o pedisse para ficar. E nessa turbulência toda isso é possível de acontecer, afinal, ele ainda não está completamente inútil. Tem, ainda e a seu modo, alguma contribuição a oferecer ao governo e ao país. Se quiser, é lógico.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, por outro lado não pode e nem deve assumir a defesa do protetor, Teme a reação da ministra Dilma. Ficou, então, entre a cruz e a espada, preferindo obedecer, como um bom cordeiro, apenas as decisões do presidente. É um ministro fraco politicamente. O substituto dele no Senado (o próprio filho) assumiu a cadeira moralmente abalado com as denúncias de práticas ilegais no curso de sua vida privada e pública. Sarney mesmo enfraquecido obteve o apoio de figuras proeminentes do PMDB na luta que resultou na nomeação de Lobão para o MME. Outras indicações de Sarney, hoje, para as empresas do setor elétrico, são vistas com reservas exatamente porque ele assumiu a paternidade no caso da nomeação de Lobão. O que queres mais? Talvez seja essa a indagação dos demais senadores do PMDB, igualmente interessados em nomear amigos ou parentes para os cargos disponíveis nesse cobiçado setor. É assim que funciona a politicalha nacional.
Mas em se tratando de controle de estatais o velho Sarney não abre mão. Ele é louco por uma estatal... E quem o conhece sabe porque. Como rende...
GRANDE FESTA
O prefeito de São João Batista, Eduardo Dominici recebeu ontem, na residência dos mais (engenheiro João Dominici e Dona Lise), grande número de amigos e familiares para comemorar seus 34 anos. A grande festa em homenagem a Eduardo, porém, acontecerá no próximo sábado, na residência dele em São João Batista (povoado Cruzeiro) com um grande churrasco regado a cerveja gelalalalada!... Parabéns!
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