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Poço do Pará
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Poço do Pará

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Data de Publicação: 19 de março de 2008
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José Raimundo Santos*

O velho Poço do Pará, localizado na Estrada Velha do Caminho Grande, atualmente Messias Costa, bairro de Fátima, então Caminho Grande, é parte integrante da história de Viana, justamente porque, há quase três séculos, existe ali, naquele local o referido poço.

O Poço do Pará é um monumento histórico que não pode ser afastado de nossa memória, faz parte de nossa cultura e do nosso cotidiano, haja vista que durante longos anos abasteceu a nossa cidade de água pura e saudável, tendo como principais fornecedores do precioso líquido os senhores José de Dada e Coracy Gaspar, pessoas muito conhecidas em Viana.

A denominação Poço do Pará é porque nascera ao seu lado a estrada que ligava o Maranhão ao Pará, vestígios que marcaram a nossa história e a luta do nosso povo.

Essa estrada ligava as duas províncias, passando pelo rico vale do Pindaré, cuja iniciativa foi de Bento Maciel Parente e obra do Capitão Pedro Teixeira.

Vale a pena mencionar o que descreveu Raimundo Lopes (1970): “Os Jesuítas exploraram o Pindaré lutando contra o mururu e descendo o gentio guajajara; e abrindo uma estrada da sua missão do Maracu (atual Viana) através do vale do Turi, do Maracassumé e do Gurupi, até Ourém, no Guamá, e o “caminho grande” ou Poço do Pará, cujo nome sobrevive num poço, em Viana à entrada do mesmo caminho, dito ainda hoje “Poço do Pará”.

Segundo o tenente-coronel do Real Corpo de Engenheiros, Antônio Bernardino Pereira do Lago, no lugar denominado Poço do Pará, começava a estrada chamada “Caminhos de Vizinhança” que os lavradores abriam para seus cômodos particulares que ia de Viana ao Pará.

Os padres da Companhia, com o cuidado do espiritual, não desdenharam de modo algum o “temporal”, é assim que, servidos pelo braço indígena, introduziram no Maracu a lavoura do gado e a cultura da cana de açúcar.

Artigos escritos por Raimundo Lopes, para “O Jornal” destacam a comunicação dos jesuítas; “o sistema consistia de percursos de uma aldeia para outra, ou seja, São Luís-Belém; a correspondência ou volumes saiam do Convento de Nossa Senhora da Luz até a fazenda Santa Cruz no Mearim, sempre com os portadores voltando a sua origem, depois seguia desta até a fazenda São Bonifácio do Maracu em Viana, desta continuava até a outra no Turi e de lá, até Belém do Pará e vice-versa. Daí, porque ficou difícil restabelecer essas estradas já que era exclusivamente a via terrestre de comunicação dos padres. Um segredo. Mesmo assim, ainda, existe, em pleno século XXI, vestígios desse passado, como destaca o escritor; o chamado Poço do Pará, no Caminho Grande em Viana”.

Segundo César Augusto Marques em sua obra intitulada “Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão” (pág. 630) há duas importantes ocorrências a respeito do assunto em discussão:

1ª “O governador do Pará, D. Fernando de Ataíde, notando em 1768 o rápido decrescimento da produção de gado em Marajó, e vendo a população necessitada de carne e farinha, resolveu no ano seguinte abrir uma estrada de vila de Ourém pela mata da aldeia de Maracu a findar nos campos do Mearim, para a expedição das boiadas do Maranhão e Piauí sendo deste serviço incumbido um tal Albuquerque”.

2ª “Diz o tenente-coronel de Engenharia Antônio Bernardino Pereira do Lago que 1820 ainda viu sinais de uma estrada de Viana ao Pará, atravessando o rio Turiaçu junto ao Laranjal, aberta pelos padres da Companhia de Jesus”.

Mesmo assim essa estrada construída pelo governador do Pará, não seguiu os mesmos caminhos trilhados pelos jesuítas, embora passando pela vila de Viana, no “poço do Pará”, onde os usuários chamados boieiros paravam para descanso, beber água, abastecer e depois seguirem destino. Essa construção não correu sob o mesmo percurso criado pelos padres; como muitos escritores tentam afirmar, para subestimar a capacidade engenhosa desses homens que, fizeram uso deste mecanismo de comunicação desde que a Missão do Maracu se estabeleceu na região, tendo adquirido essas informações nos escritos secretos dos franceses que colheram dos índios Guajajaras, que usavam essas trilhas nas viagens de ritos sagrados em busca de umas pedras verdes que os índios chamavam de “buraquitas”, em um lago, para as bandas do Gurupá, e também nas suas guerrilhas tribais.

O escritor de “Uma Região Tropical” (Raimundo Lopes, op. cit., pág.191), disse ainda mais do comportamento dos padres: “Sob a dedicação apostólica dos jesuítas, havia o interesse humano...” o que não era bem aceito pelos colonos.

Conforme, conseguimos apurar em fontes do melhor crédito, diz que Bento Maciel Parente foi incumbido em 1622 de abrir uma estrada de 116 léguas, do Pará ao Maranhão, começando na margem esquerda do rio Guamá, fronteiro ao sítio onde em 1727 foi edificado na aldeia de Maracu, atual Viana, no ponto em que ainda hoje existe o conhecido Poço do Pará.

O Poço do Pará, para o vianense, já foi marco que simbolizava a histórica beleza de Viana. Ali era o grande ponto de encontro dos vendedores do precioso líquido. Sem discriminações, irmanavam-se os vendedores de água e pessoas de diferentes pontos da cidade em busca de água pura e potável.

O Poço do Pará, nos dias atuais, resiste à sua deterioração. Esse patrimônio histórico precisa ser urgentemente restaurado, pois é um pedaço da história de Viana que teima em não desaparecer.

Acudir ao apelo do Poço do Pará é atender não somente a Viana, mas à História do Maranhão, na qual se encaixa aquele trecho urbano que se tornou famoso pela notabilidade dos vendedores de água.

Aqui, como diretor-presidente da Fundação Conceição do Maracu, conclamo os meus conterrâneos para que unamos esforços no sentido de se tornar realidade a revitalização de um logradouro que orgulha a história pujante que Viana oferece ao Maranhão.

A fundação Conceição do Maracu, zelando pelo Patrimônio Histórico de Viana, preocupa-se, justificadamente, com o poço e o local, onde o mesmo foi edificado, por considerá-los, com muita razão, relíquia de grande valor histórico. Mas, poucos, na verdade, são os que conhecem a verdadeira história do poço, uma história que está completando 281 anos de existência.

Numa época, entretanto, como a presente, chega a ser um verdadeiro crime deixar-se ao abandono tão inestimável tesouro.

Historicamente, o famoso Poço do Pará representa relíquia que deve ser preservada a todo custo.

Este poço está sendo restaurado pela Fundação Conceição do Maracu, sob a inspiração do vianense, o Engenheiro Agrônomo José Raimundo Santos, com o patrocínio do empresário José Ribamar Alves Oliveira (José Xexéu).

*1º tenente PM da Reserva Remunerada Polícia Militar do Maranhão, engenheiro agrônomo e diretor-presidente da Fundação Conceição do Maracu.

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