O grupo político do senador Sarney transformou o Maranhão na terra das oportunidades perdidas e a senadora Roseana Sarney perdeu uma grande oportunidade de ficar calada. Só conseguiu chamar a atenção para a demência política de seu governo e de outros que contribuíram para fazer desse Estado o principado da exclusão social.
Com a frase, inteligente demais para seu restrito quociente intelectual, chamou a atenção para os desmandos e a inapetência administrativa dos que governaram o Estado sob a tutela da até bem pouco titulada família real.
Os anos da governadora Roseana foram anos sem agricultura ou, para citar a frase do deputado Julião Amin, de desmantelamento da produção, de obras inacabadas e de fatos e suspeitas de corrupção.
Ninguém dirá, entretanto, que não foram competentes. Ela e a grande maioria dos seguidores de seu pai tiveram competência bastante para liquidar com as empresas públicas do Maranhão e vender o território fértil maranhense à grilagem e à especulação imobiliária.
A senadora conseguiu fazer um discurso e isso já é bastante para que se creia que milagres acontecem e que nem tudo está perdido na história política de Sarney e seus seguidores. Vejam bem: Roseana quer infestar o Maranhão com florestas de eucalipto, onde os animais não sobrevivem e tudo o que se move desaparece. Mas não quis, durante seu governo, o arrozal em flor, as plantações de feijão e milho e nada que beneficiasse os pequenos agricultores.
De qualquer modo, a terra das oportunidades perdidas conseguiu escapar ao jugo dos que assim a fizeram. E durante 40 anos o povo do Maranhão perdeu todas as oportunidades. Foram 40 anos de insolvência salarial, de escândalos mal explicados, em que não se realizaram audiências públicas para ouvir as reivindicações dos maranhenses. Sobrou, para os governadores que a sucederam, apenas o dever de tapar os buracos da dívida astronômica do Estado, além de investir para evitar a bancarrota total do Maranhão.
Não foram os governos de José Reinaldo e Jackson Lago que levaram o Maranhão à falência. Não foi essa oposição que ergueu os punhos e derrubou a oligarquia quem surrupiou até as esperanças dos maranhenses.
O silêncio é o comportamento mais lógico para aqueles que não têm nada a dizer. Com a frase do discurso, Roseana depôs contra si mesma num tribunal que não perdoa: o tribunal da opinião pública. E esse está farto de saber que não se pode enganar a todos durante todo o tempo.
Pelo menos uma coisa ela conseguiu: agir como um réu que assume o lugar do juiz e pune a si mesmo. Ela sabe muito bem como, onde e porque o Maranhão se transformou na terra das oportunidades perdidas. E nós também. Sabe porque a maior oportunidade perdida foi com seu pai presidente da República. Essa foi, na verdade, a maior oportunidade de prosperar que o Maranhão perdeu.