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A ORDEM É ESCONDER SARNEY

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Data de Publicação: 18 de março de 2008
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José Reinaldo

Alguém deu a ordem: é preciso esconder (Sarney) nas eleições, tirálo da discussão política. Hoje, Sarney é como se fosse uma praga, rejeitado, e todos querem ficar longe dele. É sinônimo de derrota certa em eleições. Achar que é possível um homem que fez, e continua fazendo, tanto mal ao Maranhão, que teve, e ainda tem, um grande poder no governo federal, chegando até a ser o mandatário supremo da Nação, o presidente da República, possa ser escondido em uma eleição em que se decide exatamente quem irá continuar, ou não, as mudanças para um Maranhão melhor é entrar em devaneios longe do que pensa e quer o povo do Maranhão.

Foi o que pediu o deputado federal Gastão Vieira, que quer ser candidato a prefeito de São Luís, em recente entrevista no “O Imparcial”. Ele foi enfático e dramático ao externar essa sua pretensão, dizendo que era hora de acabar com isso, que já ficou para trás, em 2006, na derrota histórica de Roseana Sarney. Que não era mais hora de “mocinhos contra bandidos”, classificando bem a ação de seu grupo tentando tomar na marra o governo de Jackson, ganho nas últimas eleições pela vontade do povo do Maranhão. Para isso movem contra o governador um processo tocado pessoalmente por Sarney, que contratou advogados especialistas em derrubar, a qualquer preço, o alvo do processo.

A revista Veja desmascarou para o Brasil o que o Chiquinho Escórcio e seus advogados goianos estavam fazendo em Goiânia a mando dos mesmos de sempre. O país ficou escandalizado em ver o que uma das últimas oligarquias brasileiras usava como método político na busca desenfreada pelo poder. E o processo contra o governador foi feito da mesma maneira, pelas mesmas pessoas, com uma roupagem de coisa séria para impressionar os julgadores, mas por dentro é a história contada em cima de fatos conseguidos pela força do poder em suas diversas maneiras de persuadir. Agora, sabe-se, contratou o último ícone que faltava, o advogado piauiense que derrubou o governador Mão Santa do Piauí. Só especialistas em causa tão falida.

Portanto, como tirar Sarney da discussão se ele continua querendo tomar, pela força, o poder que o povo lhe tirou no Maranhão? Mais do que nunca temos que colocar no centro da questão maranhense o mal que esse tipo de político, e suas oligarquias e sede de poder causaram ao Maranhão. Pelos prejuízos auferidos ao país até motivaram a revolução dos tenentes nos idos de 30, que queria modernizar o Brasil, tal a gravidade do problema.

E aqui no estado, ainda que tardiamente, ela está nos estertores, caminhando para o desaparecimento, mas ainda quer usar todo o poder que lhe resta, agora concentrado no governo federal, para ganhar um alento.

Porém, essa tentativa patética de tentar esconder o Sarney não foi começada por Gastão. Começou em 1994 e foi utilizada por Roseana, candidata ao governo do estado, que embora filha dileta, resolveu esconder sua filiação, tentando criar, na cabeça das pessoas, uma imagem nova: ela é da família, mas é moderna e não faz parte da oligarquia, não age como uma Sarney. A propaganda de Roseana não mencionava o nome da família e os cartazes só mostravam Roseana e, não, Roseana Sarney, sobrenome politicamente banido por ela, que só deixava mostrar Roseana e mais nada, assim como não deixou José Sarney aparecer ou discursar em nenhum dos seus comícios.

E agora será coisa de Gastão ou é ordem de Roseana? Ou é do próprio Sarney? O fato é que todos eles querem a sombra protetora de José Sarney para conseguirem cargos no governo federal e para proteção pessoal contra investigações etc., mas querem ficar longe dele na hora de disputar votos. Mas como esconder que fazem parte do mesmo grupo oligárquico de poder, que tanto mal causou ao Maranhão com suas práticas predatórias, que nos levaram ao atraso e à desesperança? É só da boca para fora, pois será que o presidente Lula faria de Roseana líder do governo no Congresso se não fosse a pedido insistente do pai? Só não conseguiu fazê-la ministra, seja lá de que pasta, pois aí Lula achou que era demais. E não nomeou.

E Gastão, presidente da Comissão de Educação da Câmara, ele que foi secretário de Educação de Roseana e depois continuou mandando e orientando, pois colocou, em seu lugar, uma pessoa de sua mais irrestrita confiança e ascendência, um parente, e quando Roseana deixou o governo não havia ensino médio no Maranhão, ou seja, havia apenas em 58 municípios e não havia em 159? Gastão jamais se dignou a explicar por que um grande educador, como ele, deixou que isso acontecesse justamente quando ele foi secretario de Educação do estado e podia mostrar a que veio. De quem foi a culpa? Só de Roseana? Gastão não participou? E porque emudecer sobre isso? E como, com esse currículo, chegar a presidente da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados? Só com uma ajudinha de Sarney!

O fato é que a luta não terminou. A luta continua e temos de vencer esse grupo em 2008 e 2010.

Aí, sim, poderemos esquecer Sarney e sua oligarquia como tema de nossas eleições! Sarney nunca mais!

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras.

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