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Família de Antônio Carlos Magalhães começa briga por herança na Justiça

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Data de Publicação: 17 de março de 2008
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Salvador - A decisão de Teresa Magalhães Mata Pires, filha de ACM, de entrar na Justiça contra a família irritou profundamente o “outro lado’’ do clã Magalhães. “Agora não tem mais conversa. Vamos para o pau’’, disse na sexta-feira ACM Júnior. A disputa pelo espólio do senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) rachou a família e promete muitas batalhas jurídicas.

De um lado estão a viúva Arlette Magalhães, o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) e familiares do ex-deputado Luís Eduardo Magalhães, morto em abril de 1998; do outro, Teresa Helena Magalhães Mata Pires, filha de ACM, e seu marido, o empresário César Mata Pires, principal acionista da OAS, uma das maiores construtoras do país.

Segundo ACM Júnior, César Mata Pires é o mentor do litígio familiar. “Ele não está brigando por dinheiro, até porque tem muito. Ele quer poder, quer ter o poder que o meu pai teve sem ser político.’’ A reportagem deixou recado, na sexta, no escritório de André Barachísio Lisboa, advogado do casal Mata Pires, e nos escritórios da OAS em Salvador e em São Paulo. Ontem, a reportagem voltou a ligar nos três locais. Ninguém atendeu. O casal também não foi encontrado em sua casa em Salvador na sexta e no fim de semana.

ACM Júnior e Luís Eduardo Magalhães Filho doaram para a viúva de ACM suas participações nos objetos e obras de arte. “Esse gesto é para demonstrar que ninguém escondeu nada’’, afirmou ACM Júnior. Ele reconhece que o pai deixou “obras muito valiosas’’. “Na casa de minha mãe há peças sacras do período barroco, quadros de Cândido Portinari e Di Cavalcanti, objetos de prata e cerâmica.’’

Em nota publicada na quinta-feira em jornais da Bahia, o advogado de Teresa e César Mata Pires, André Barachísio Lisboa, disse que alguns bens haviam desaparecido. Na semana passada, ACM Júnior e Luís Eduardo Magalhães Filho entraram na Justiça com uma ação de calúnia, difamação e injúria contra Teresa Mata Pires. “Faz tempo que não converso com a minha irmã, e o diálogo acabou. Não temo a briga jurídica até porque, com exceção dela [Teresa], a minha família está unida’’, disse o senador.

No centro da contenda está um patrimônio de cerca de R$ 30 milhões (imóveis, ações e objetos de arte deixados por ACM) e a disputa pelo comando da Rede Bahia - conglomerado com seis emissoras de TV aberta (todas afiliadas à Globo), uma televisão local, três emissoras de rádio, um portal de Internet e uma empresa de entretenimento-, que faturou cerca de R$ 240 milhões no ano passado. A Rede Bahia não está no inventário de ACM.

No começo deste mês, Teresa Mata Pires entrou na Justiça com uma ação pedindo o arrolamento dos bens e das obras de arte deixados pelo pai. A juíza Fabiana Andréa Almeida Oliveira Pellegrino, da 14ª Vara de Família, concedeu a liminar e dois oficiais de Justiça, acompanhados por oito militares, entraram na cobertura da viúva do senador, em Salvador. A juíza, que concedeu a liminar com menos de 72 horas após receber a petição, é casada com o deputado federal Nelson Pellegrino (PT), inimigo político dos Magalhães.

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