A partir da década de 1990, as pesquisas agronômicas com plantas medicinais e aromáticas no Nordeste praticamente saíram do zero e tiveram avanço significativo, traduzido em ampla produção científica representada por teses de mestrado e doutorado, artigos divulgados em periódicos e trabalhos apresentados em eventos.
Com a proposta de reunir, de forma sucinta, os resultados dessas pesquisas, servindo como base para consulta por parte de produtores rurais, pesquisadores e outros interessados, três doutores em Fitotecnia da Universidade Federal do Ceará – Sérgio Horta, Renato Innecco e Cláudia Araújo Marco – elaboraram, juntamente com a agrônoma Aurilene Vasconcelos Araújo, mestra na área, o estudo “Plantas medicinais e Aromáticas Cultivadas no Ceará: Tecnologia de Produção e Óleos Essenciais”.
No trabalho, os autores apresentam informações agronômicas sobre 26 espécies vegetais e sobre a utilização dos óleos essenciais de algumas delas como inseticidas e fungicidas, dentre outras aplicações. Entre as plantas medicinais estudadas estão: babosa, capim-santo, aroeira, erva-cidreira, alfavaca, capim-citronela, agrião-bravo e várias outras.
O estudo foi publicado pelo Banco do Nordeste, por meio do Etene – Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste. O superintendente do Etene, José Sydrião de Alencar Júnior, ressalta a importância da utilização dos óleos essenciais (produtos naturais) no combate a insetos que afetam a atividade agropecuária e a saúde humana no mundo atual, onde a preocupação com a proteção ao meio ambiente tornou-se uma questão central e irreversível.
Lembra ele que “o emprego de agrotóxicos sintéticos e os limites máximos de resíduos nos produtos agrícolas são permanentemente monitorados por órgãos oficiais de vários países, alguns deles sofrendo restrições e até mesmo proibição de uso, a fim de garantir alimentos seguros e com qualidade para os consumidores”.
Em sua opinião, o controle biológico de pragas e o uso de produtos químicos naturais são alternativas possíveis e potenciais que devem merecer cada vez mais a atenção da comunidade científica e dos defensores do desenvolvimento sustentável. “O livro do Dr. Sérgio Horta e colaboradores deverá contribuir para a maior divulgação dessas tecnologias alternativas”, propõe.