O Brasil detém 22% de todas as espécies animais e vegetais do planeta. Esse dado já seria o suficiente para dimensionar a importância que este tema representa. O Maranhão, por sua vez é um estado brasileiro que tem uma localização por demais privilegiada: fica na Amazônia oriental e no extremo oeste do Nordeste. Graças a isso, possui uma rica diversidade ecológica, fato que lhe confere espécies únicas da fauna e da flora brasileiras.
Hoje, o herbário da Ufma, por exemplo, tem mais de 10 mil espécies registradas. Com tantas riquezas, o Maranhão desfruta de uma posição de destaque para explorar os recursos naturais na busca por novas tecnologias.
Foi com esse intuito que um grupo de pesquisadores locais, a professora da Universidade Federal do Maranhão, Teresinha Rêgo, e o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – Fapema, Sofiane Labidi, reuniram-se na sede da Fundação, na última terça-feira (11). O encontro marcou o início das atividades do Pólo de Biotecnologia do Maranhão.
Minas Gerais é, ao lado do Estado de São Paulo, um dos principais pólos de biotecnologia do Brasil. Para quem acompanha a produção acadêmica e científica do país, isso pode não soar como novidade. A boa nova com relação ao assunto é outra: o Maranhão acaba de entrar na rota de pesquisas em biotecnologia.
A biotecnologia, área em larga expansão, consiste na utilização de organismos vivos, ou parte deles, para a produção de bens e serviços. Nesta definição se enquadra um conjunto de atividades que o homem vem desenvolvendo há milhares de anos, como a produção de alimentos fermentados (pão, vinho, iogurte, cerveja, etc.). Por outro lado, a biotecnologia moderna, também conhecida como engenharia genética ou tecnologia do DNA recombinante, envolve modificação direta do DNA, de forma a alterar precisamente ou introduzir novas características a um organismo vivo.
Teresinha Rêgo, pesquisadora maranhense de respaldo internacional, foi especialmente convidada pela Fapema para coordenar a implantação do pólo. A curadora do herbário Ático Seabra acredita que dessa vez, com o apoio dado ao projeto pelo Governo do Estado, por meio da Fapema, a biodiversidade do Maranhão poderá ser estudada e preservada. “Essa é uma necessidade antiga do nosso Estado, mas eu acredito que agora o projeto tem tudo para dar certo. Iremos alavancar a pesquisa na área da biotecnologia e poderemos também registrar as riquezas da fauna e da flora do Maranhão, através de estações de biodiversidade”.


Sofiane Labidi durante reunião
Sobre o Pólo - A implantação do Pólo de Biotecnologia abre foco para a inovação e integração entre pesquisa e produção, desenvolvendo produtos e processos biotecnológicos. Para Labidi, “o Maranhão é um estado com grande potencial de riquezas naturais, por isso precisamos concentrar esforços para eleger projetos que possam gerar riquezas para o nosso Estado e que façam interface com a sociedade. As pesquisas isoladas não trazem resultados eficientes, é preciso integrar esforços e aproximar nossos pesquisadores nos diferentes centros: Uema, Ufma e Cefet”.
Nesta primeira reunião do pólo avanços significativos já foram alcançados, como a definição de grupos de trabalho para a elaboração do regimento interno e também para a definição dos projetos de pesquisa prioritários para a atuação do Pólo de Biotecnologia. O objetivo da Fapema é apoiar financeiramente a execução deste projeto, além de captar recursos junto ao CNPq, FINEP e demais órgãos para financiar os programas de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico na área da biotecnologia. Espera-se estimular a capacitação científica e tecnológica nesse campo, fortalecendo os estudos que colocaram o país na vanguarda da pesquisa em recursos genéticos.
Esses recursos irão propiciar um aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no setor, além da difusão de novas tecnologias que ampliarão o acesso da população a bens e serviços com alto conteúdo tecnológico.
Após a reunião também ficaram definidas visitas aos laboratórios de Genética e Biologia Molecular, coordenado pelo Prof. Maurício Bezerra, na Uema; o laboratório de Tecnologia Farmacêutica, que será revitalizado com o projeto e ao Herbário da UFMA, quando será feito um diagnóstico preciso dos problemas enfrentados pelos pesquisadores e um estudo de medidas para sanar essas dificuldades. Outro assunto que esteve em pauta foi a promoção de cursos de qualificação profissional para todos os envolvidos no processo. Ficou definido também o pleito por um Doutorado Interinstitucional com a USP (Dinter), na área de Biotecnologia. Um dos objetivos do pólo será capacitar multiplicadores, alunos de iniciação científica e apoiar os cursos de mestrado e doutorado do Estado.